Youtube ou livros?

Por Josefa Batistelli* | Foto: Shutterstock | Adaptação web Caroline Svitras

 

 

A questão da leitura em sala de aula, e também fora dela, sempre foi um problema para nós, professores, porque quem não se interessa em ler tem mais dificuldade para se interessar em estudar.

 

Na faculdade não se aprende estratégia para fazer o aluno se interessar por livros. Isso é uma coisa que cada professor precisa aprender por si — asar de toda a criatividade para fazer os alunos descobrirem que é importante ler de tudo, pois quem lê de tudo desenvolve a vontade de aprender mais.

 

Não existe uma fórmula mágica para fazer o aluno se apaixonar pelos livros. Contando um pouco da minha experiência, talvez inspire outros professores a terem ideias, também.

 

Os alunos mais jovens já estão acostumados com internet, já que com qualquer celular é possível acessar a rede. Estar conectado, para eles, é muito importante. Então, a palavra é interatividade. Youtube para eles, hoje em dia, é o máximo. Os youtubers, como eles dizem, que são os jovens que falam de assuntos que interessam a eles, são como os galãs de telenovelas de antigamente. Tudo que eles dizem viram moda.

 

Por isso, estudei esses youtubers e descobri que muitos deles gostam de ler. Então, comecei a pesquisar o que esses jovens comunicadores gostam de ler e tentei aplicar os mesmos livros, ou livros parecidos, na sala de aula. Deixei de lado um pouco a lista obrigatória dos livros paradidáticos e passei a usar livros que eram mais conhecidos por esse pessoal da internet. Também, passei a usar um pouco de histórias em quadrinhos, especialmente com os meninos, mas acabei descobrindo que muitas meninas também são fãs. Em alguns momentos, até usei os celulares como maneira de deixar os alunos interessados pelos assuntos da aula.

 

E como eu falei, interatividade é um ponto forte. Os jovens gostam de interagir com quem fala como eles, pensa como eles. Então, nada melhor que fazê-los se expressar com essa mesma linguagem. A partir dos livros, e assistindo em aula aos vídeos dos youtubers, os alunos criaram suas próprias histórias e fizeram seus próprios programas de vídeo. Colocamos os vídeos na internet também, para que eles vivenciassem a mesma experiência de ser um youtuber. Com isso, o interesse pela aula cresceu demais.

 

Depois que o aluno passa a ser mais participativo na aula, ele estará mais aberto às propostas curriculares que o professor oferece. É um processo que não é rápido e não existe método certo. O método quem cria é cada professor, com base na sua vivência.

 

 

*Josefa Batistelli é professora do ensino fundamental.

Revista Conhecimento Prático – Literatura Ed. 68