Tradição oral e escrita

Por Rodrigo Ruiz* | Adaptação web Caroline Svitras

 

Ensinar é um grande desafio para um professor novato. Mais desafiador ainda é conquistar seus alunos, chegar aos seus corações tão necessitados de atenção e novos desafios. Desafios que lhes sejam a porta de acesso à construção do saber. E o saber é importante partilha na aula nossa de cada dia.

 

Aproveitando a celebração do mês do folclore, que ocorre em agosto, propus aos adolescentes — elétricos e tagarelas nos seus 13 e 14 anos — uma atividade que resultou em momentos de saborosa partilha entre professor-aprendiz e alunos-mestres, se é que entendem esse jogo de palavras no linguajar de um estreante na arte de educar.

 

A atividade consistia em realizarem no ambiente de casa, entre seus pais, tios e avós, a coleta de histórias de assombrações e lendas “vividas” e guardadas no imaginário familiar. Qual não foi a minha surpresa ao ver que a proposta fora acatada e trouxera para o ambiente escolar as deliciosas narrativas orais que eu já imaginava desaparecidas nessa infância tão sacudida pelas redes sociais e facilidades tecnológicas do século XXI.

 

Lendas como o Lobisomem, o Saci, a Mãe-do-Ouro, Procissões de Mortos, a Velha Pisadeira, o Diabo na
Garrafa e outras tantas foram contadas, pacientemente, por gente simples do povo na sua sabedoria admirável aos atentos ouvintes mirins, responsáveis pelo registro no papel dessas sessões de contação de histórias de nosso tão rico folclore.

 

Leio e releio os manuscritos que me foram entregues e em cada um eu vejo o quanto nossos alunos ainda podem nos surpreender e assombrar, no melhor sentido da palavra. E o que é mais alentador para um historiador: a preservação da memória sendo exercitada.

 

*Rodrigo Ruiz é historiador e professor do ensino fundamental em Itapira – SP.

Adaptado do texto “O imaginário fantástico em sala de aula”

Foto: Revista Conhecimento Prático – Literatura Ed. 63