Saiba como é ser editor de uma revista

A revista “Literatura” tem a honra e o prazer de apresentar a entrevista com o professor Jaime Pinsky, diretor editorial da Editora Contexto, e autor de quase três dezenas de livros.

Por Sérgio Simka* | Foto: Divulgação | Adaptação web Caroline Svitras

No segundo semestre de 2012 a Fundação Pró-Livro e o Instituto Ibope Inteligência divulgaram pesquisa em que 24% dos entrevistados afirmavam que cultivavam o hábito de ler durante seu tempo livre. Em 2008 – a pesquisa é feita a cada quatro anos – esse número era de 36%. A próxima pesquisa deve ser divulgada no segundo semestre de 2016. A mesma pesquisa indica que o brasileiro lê, em média, 1,85 livro por trimestre (em 2008 era 2,4 livros).

Pinksy por Pinksy: “Após completar minha graduação em História, completei os créditos da pós-graduação na USP, onde recebi o título de Doutor menos de três anos depois de terminada a graduação. Enquanto isso, trabalhei na Faculdade de Assis, mais tarde incorporada à Unesp. Durante alguns anos dei aulas na História e em Letras da USP e, finalmente, na Unicamp. Sou livre-docente concursado da USP e o primeiro professor titular por concurso da área de Humanas da Unicamp, de onde saí para dirigir a Editora Contexto. Publiquei, entre obras minhas, organizadas ou com autoria compartilhada, quase trinta livros, entre os  quais História da Cidadania, Primeiras Civilizações, Escravidão no Brasil, Cidadania e Educação, O Brasil tem Futuro? etc. Meus textos são frequentemente utilizados em provas de vestibular, concursos etc. Já fiz palestras em quase todas as principais universidades brasileiras, como as federais do RJ, MG, RGS, SC, Paraná, MT, Pará, Alagoas, RGN, Brasília, Juiz de Fora, ES, etc. etc. e em diversas instituições universitárias do exterior.”

Você tem quase três dezenas de livros publicados. Qual o livro que mais lhe deu satisfação em escrever?

São desafios, sofrimentos e alegrias diferentes. “Escravidão no Brasil” e “As Primeiras Civilizações” já venderam mais de 100 mil exemplares cada e tenho recebido cartas incríveis que me estimulam a não parar. “História da Cidadania” é um projeto em que consegui incorporar uma plêiade de grandes autores em uma obra que é referência absoluta e é citada quase diariamente em algum lugar do país. Mas “12 Faces do Preconceito” (também uma obra com vários autores) eu já previa que teria um papel importante na luta contra preconceitos.
Conte-nos como é a experiência de ser editor.  

Isso demandaria um livro (que não está fora de cogitação). Mas é interessante lidar com pessoas que produzem, mesmo que tenham egos gigantescos, difíceis de tratar…
Como teve a ideia de abrir uma editora?

Criei, por solicitação do então reitor, a editora oficial da Unicamp. Ao concluir meu mandato, o vírus da edição de livros me havia contaminado. Não pude fazer nada, a não ser abrir a Contexto…
Quais sãos as maiores dificuldades que encontra para publicar?

A queda do número de leitores. Muitos acham que pesquisar resume-se a utilizar as teclas Ctrl+C e Ctrl+V. Tem gente que termina um curso superior sem ler um único livro inteiro! É como se alguém se candidatasse a jogador de futebol sem nunca ter dado um chute, ou a salva-vidas sem saber nadar! Do outro lado há autores que são fazedores de relatórios, não autores: são chatos e não gostam que seu texto seja melhorado.
Se alguém deseja publicar por sua editora, quais são os procedimentos que a pessoa precisa seguir? Há algum pré-requisito?

Basta entrar no nosso site (www.editoracontexto.com.br) e ver se seu projeto tem a ver com nossa linha de publicações. Em caso positivo, deve entrar no “seja nosso autor”, preencher o que é solicitado e nos enviar, via site mesmo. Damos resposta a todos.
Acredita em inspiração para escrever? (se bem que seus livros primam pela objetividade, mas a pergunta é feita assim mesmo, mais num sentido generalista).

Acredito mais em formação adequada e disciplina. Quem não foi leitor não vai escrever coisa que preste. Nem deve tentar. Continuo achando que as pessoas deveriam ler mais antes de arriscar a escrita de um livro, que é coisa muito séria. De resto, o talento não é distribuído de forma equitativa pelos habitantes do nosso planeta.
Para você, o que significa ser escritor?

Depende a que tipo de escritor nos referimos. De qualquer forma, para sermos escritores temos que ter leitores. Assim, a escrita implica diálogo. Escrever, portanto, é dialogar, antes de tudo…
Uma mensagem aos que desejam se lançar no mundo editorial.

Leiam muito. Depois, se acharem que ainda têm algo novo a dizer, não hesitem. Do contrário, continuem lendo.

 

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Conhecimento Prático – Literatura Ed. 66

*Sérgio Simka é é mestre e doutorando em Língua Portuguesa pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Autor de mais de quatro dezenas de livros sobre literatura, literatura infantojuvenil, ensaio, produção textual e gramática. Publicou, pela Alpharrabio Edições, o livro de contos Aos Quatro Cantos, em 2002. Conheça o site do prof. Jaime Pinsky: www.jaimepinsky.com.br