O romance sergipano de Amando Fontes

Por Maurício Silva | Foto retirada da revista | Adaptação web Caroline Svitras

Há 50 anos falecia Amando Fontes (1899-1967), autor de um dos mais importantes livros da década de 30, mas também um dos escritores mais esquecidos pela crítica especializada.

 

Embora fosse natural da cidade de Santos, em São Paulo, passou praticamente toda sua vida em Sergipe, de onde provinha sua família e onde atuou como professor, crítico literário e advogado. Eleito deputado federal por Sergipe, frequentou a vida cultural e literária do Rio de Janeiro, onde faleceu.

 

Bissexto

Escritor bissexto, publicou apenas dois romances, sendo o mais importante deles Os Corumbas, de 1933. Tendo angariado algum reconhecimento da crítica da época — o que já não aconteceria com seu segundo romance, Rua do Siriri, de 1937 —, tornou-se, na sequência, quase um desconhecido no mundo das letras brasileiras.

 

Os Corumbas narra a saga de uma família de agricultores de Sergipe, apresentando de modo direto e incisivo os percalços e as dificuldades vividos por trabalhadores rurais explorados por usineiros e operários. Tendo migrado do interior para a capital, a família Corumba conhece de perto a realidade da exploração da mão de obra barata tanto nos engenhos de cana quanto nas fábricas de tecido. Vivendo no limite das tragédias sociais e pessoais (filhos e filhas que morrem no campo, que se tornam prostituta na cidade, que são presos e deportados ou que falecem por alguma doença), Os Corumbas conta, assim, a saga dos trabalhadores retirantes, vítimas de um sistema político-econômico em que a exploração parece ser a tônica incontornável, tudo narrado a partir de um estilo que nada deixa a desejar aos grandes romancistas do neorrealismo literário brasileiro.

 

E embora Amando Fontes tenha escrito numa época em que outros romancistas apresentavam obras de teor político mais marcado (como Jorge Amado, Graciliano Ramos ou José Lins do Rego), não se pode dizer que sua obra seja, no rigor do termo, um exemplo de literatura engajada, como lembra, aliás, Luís Bueno (2006, p. 185) que, em sua extensa Uma história do romance de 30, afirma ser Os Corumbas “um exemplo de romance social sem lastro ideológico tão marcado”.

 

 

 

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Adaptado do texto “Entre o regionalismo e o realismo: o romance sergipano de Amando Fontes”