O afeto em sala de aula transforma o aprendizado

Por Marcos Messias da Silva Justiniano* | Foto: Shutterstock | Adaptação web Caroline Svitras

Uma das necessidades básicas do ser humano é ser amado. Os sujeitos querem ser reconhecidos uns pelos outros. Reconhecer o outro e valorizar suas iniciativas e conhecimentos vão contribuir no processo de ensino e de aprendizagem. Porém, pode ser observado que, não podemos afirmar se por negligência ou falha na formação, os professores preocupam-se com seus conhecimentos e habilidades didático-pedagógicas e esquecem-se da importância da afetividade. Proporcionar condições para que o professor considere seus alunos em toda sua complexidade como pessoas, despertará interesse, comprometimento e engajamento por parte de seus alunos.

 

Em uma sociedade na qual as informações estão disponíveis a todos e a uma velocidade muito rápida, as pessoas estão apressadas e dificultam a formação de vínculos por onde passam. Contudo, possuímos necessidades básicas e necessidades de pertencimento, amizade, amor, de estima e respeito, que podem ser exploradas pelos agentes da educação. Proporcionar uma aprendizagem para a vida pode propiciar um conhecimento duradouro e eficaz. O professor que, de fato, se preocupa com o crescimento de seus alunos, fará da aprendizagem um processo prazeroso e inesquecível, e poderá contribuir para o desenvolvimento de homens e mulheres melhores. Preparar os professores para que em seu trabalho sejam levados em consideração o conhecimento dos alunos, suas questões afetivo-emocionais, suas habilidades e suas atitudes e valores, pode proporcionar um melhor sistema educacional e de ensino.

 

Atualmente, tem-se discutido sobre a perda da autoridade de professores em sala de aula, sobre evasão escolar, conflitos e até mesmo sobre crimes em sala de aula. Pesquisas demonstram que boa parte dos professores são afastados por transtornos como depressão, síndrome de Burnout, ansiedade, síndrome do pânico. Sem considerar a questão poética envolvida, o amor, a empatia, a atenção, a compreensão e o carinho contribuem para o melhor desenvolvimento das relações humanas. Assim, dotar nossos professores desta afetividade, pode prevenir conflitos, crimes, evasão, doenças e transtornos, e ainda facilita o ensino e a aprendizagem.

 

A falta de compreensão das individualidades, de amor e de carinho, a falta de empatia, de respeito constituem-se em impedimentos da aprendizagem. Ratificar a importância das relações afetivas na relação professor-aluno e possibilitar este conhecimento durante a formação docente, trará contribuições para a compreensão do processo ensino-aprendizagem e oferecerá possibilidades para tornar mais suave o caminho da educação.

 

*Marcos Messias da Silva Justiniano é palestrante, psicólogo e professor.