Capa

Jane Austen


Pride and Prejudice. Em português, Orgulho e Preconceito. Esta é a melhor apresentação que se pode fazer de Jane Austen. Em meio à pequena porém consistente obra da autora, este é um dos mais conhecidos e amados livros da literatura inglesa


Por Raquel Sallaberry Brião


Orgulho e Preconceito e Zumbis
Foi lançada em 2009 uma versão no mínimo bizarra de Orgulho e Preconceito: Orgulho e Preconceito e Zumbis. Nele, Elizabeth está tentando se livrar dos mortos-vivos quando é distraída pela chegada do encantador Mr. Darcy; além dos problemas da obra original, os dois precisam lidar com... zumbis atacando o pacífico vilarejo de Meryton. A versão foi sucesso de vendas e inspirou lançamentos similares, como Razão e Sensibilidade e Monstros Marinhos.

Desembarcando no Brasil
A obra de Jane Austen chegou ao Brasil somente nos anos 1940, pelas mãos do editor José Olympio Pereira Filho, dentro de uma coleção de grandes romances da literatura universal, traduzidos para o português por escritores conhecidos.

O primeiro deles, Orgulho e Preconceito, traduzido por Lúcio Cardoso em 1940, foi também a obra inaugural da coleção "Fogos Cruzados" da Editora José Olympio. Desde então essa tradução vem sendo publicada por várias editoras. Em 1944 a editora acrescentou mais dois livros de Jane na coleção: Mansfield Park, traduzido por Rachel de Queiroz, e Razão e Sentimento, por Dinah Silveira de Queiroz. A tradução de Rachel foi publicada novamente pela Editora Global em 1983.

Uma edição rara e apenas mencionada em sites é a da tradução de Lêdo Ivo de A Abadia de Northanger, feita em 1944 e publicada pela Editora Panamericana. Em 1982 essa tradução foi republicada pela Editora Francisco Alves.

Em 1971, quase 30 anos depois das primeiras traduções, a Editora Bruguera Brasil publicou pela primeira vez Persuasão, com tradução da escritora e professora Luiza Lobo, para a coleção "Clássicos do Mundo Todo". Em 2007 essa tradução foi republicada pela Editora Francisco Alves.

A primeira edição de Emma foi feita pela Editora Nova Fronteira em 1996, com tradução do poeta Ivo Barroso, que já havia traduzido Razão e sentimento pela mesma editora em 1982.

Em entrevista ao blog Jane Austen em Português, perguntado se a tradução de Emma havia sido indicação da editora e se era a primeira tradução brasileira, Ivo Barroso respondeu: "Emma foi sugestão minha e creio que a primeira no Brasil, mas não estou certo". A dúvida fica por conta de um Ema com tradução de Dinah Silveira de Queiroz, anunciado na edição de Razão e Sentimento de 1944; ao que tudo indica, se foi traduzido, não foi publicado.

Depois de um período de ostracismo e com a expansão da internet nesta última década, disponibilizando filmes e livros gratuitos, o público brasileiro descobriu mais sobre Jane Austen, mas a barreira da língua tornou evidente a falta de traduções ou reedições. Muitas obras tornaram-se raridades, mesmo no comércio de livros usados. Ao mesmo tempo, a febre austeniana fez surgir edições oportunistas, duvidosas e sem nenhum apuro.

Em boa contrapartida, nos últimos três anos, editoras respeitáveis deram início a novas traduções e, em alguns casos, reedições de traduções consagradas.

Em 2009, por exemplo, o pedido dos leitores do blog Jane Austen em Português foi atendido pela editora L&PM, que deu corpo a um antigo projeto de publicar a obra completa de Jane Austen em boas traduções e a preços acessíveis. Hoje temos, no formato pocket, Orgulho e Preconceito e Persuasão, ambos com tradução da poeta Celina Portocarrero, com acesso ao grande público em qualquer banca de jornal.

Projeto Gutenberg, GirleBooks e Molland's
Projeto Gutenberg, disponível em http://www.gutenberg.org/; GirleBooks, disponível em http://girlebooks.com/; e Molland's, disponível em http://www.mollands.net/

Lendo Jane Austen em português
Em inglês toda obra de Jane Austen está no domínio público e pode facilmente ser encontrada em sites como o Projeto Gutenberg, GirleBooks e Molland's para citar apenas alguns. No Brasil, por implicações legais, as traduções de Jane ainda não estão em domínio público.

Com inúmeras edições e reedições em português dos seis principais títulos espalhados pelas bibliotecas do país, é possível apreciar a obra de Jane Austen. Até mesmo com edições voltadas para o público infantojuvenil, como as adaptações de Orgulho e Preconceito e Razão e Sensibilidade, respectivamente de Paulo Mendes Campos (Ediouro) e Lídia Cavalcante-Luther (Scipione).

O que recomenda a leitura de Jane Austen, além da sofisticação de sua escrita, é a simplicidade, a perspicácia e principalmente o humor, que torna suas histórias atemporais, pois os costumes mudam, mas nossos sentimentos continuam os mesmos.

Todas as obras da autora comportam mais de uma leitura. Quando jovens nos apaixonamos pelos romances, pelos desafios aos mais velhos e pelos finais felizes que todos almejamos para a nossa própria vida. É uma obra para ler e reler, a vida toda.

Jane é libertada do seu isolamento histórico, porém continua isolada em função de seu gênio. Não se pretenderá transformar o fenômeno individual em movimento literário por meio de aproximações artificiais

Com a maturidade continuamos nos enternecendo com o amor, "essa palavra de luxo", segundo a poeta Adélia Prado, mas passamos a entrever a fina ironia, a crítica contundente e elegante e as observações mordazes sobre o comportamento humano. Percebemos, assim, o motivo pelo qual Jane Austen é equiparada a Shakespeare.

O estilo literário austeniano é único e não se enquadra no neoclacissismo e pré-romantismo de sua época. Otto Maria Carpeaux, em História da Literatura Ocidental, anota: "Jane Austen é libertada do seu isolamento histórico; continua, porém, isolada em função de seu gênio; não se pretenderá transformar o fenômeno individual em movimento literário, por meio de aproximações artificiais". Virgínia Woolf em Um Teto Todo seu Também nos mostra uma característica da escrita de Jane Austen que considero importante em qualquer livro: "Ali estava uma mulher, por volta de 1800, escrevendo sem ódio, sem amargura, sem medo, sem protestos, sem pregações".

Para ler Jane Austen
Jane Austen é para ser lida com prazer. A começar por Orgulho e Preconceito, o "mais leve, luminoso e cintilante", segundo as palavras da própria autora. É fácil encantar-se com Elizabeth Bennet e Mr. Darcy, e se divertir a valer com Mr. Collins. A seguir, apaixonar-se sem medidas junto com Marianne Dashwood, com o sempre amoroso apoio de Elinor, com plena Razão e sentimento. E, sem susto, prosseguir viagem até A Abadia de Northanger, pois o senhor Tilney garantirá o riso. A próxima anfitriã é ninguém mais do que Emma, disposta a nos fazer felizes, nem que para isso cisme em nos casar. Para repousar dessa maratona e meditar sobre a vida, nada melhor do que o silêncio de uma propriedade rural e a companhia da amável Fanny Price, em Mansfield Park. Mas não se enganem! O campo também pode ser movimentado com os irmãos Crawford!

Ainda não se convenceu a ler Jane Austen?

Só me resta a Persuasão de Anne Elliot, perfeita conhecedora do coração de homens e mulheres.

Raquel Sallaberry Brião é dona no site Jane Austen em Português http://janeausten.com.br

REFERÊNCIAS
Jane Austen The Complete Novels, Collector's Library, 2009.

A Memoir of Jane Austen, James Edward Austen-Leigh, 1871 (disponível gratuitamente no Projeto Gutenberg).

Jane Austen a Biography, Elizabeth Jenkins, 1938. Jane Austen's Letters, Deirdre Le Faye, 1995.

Jane Austen Fiction Manuscripts - http://www.janeausten.ac.uk/index. html/

Jane Austen's House Museum - http:// www.jane-austens-house-museum. org.uk/

Jane Austen Centre Bath - www. janeausten.co.uk/ Jane Austen Society UK - http://www.janeaustensoci.freeuk.com/

Jane Austen Society of North America - http://www.jasna.org/

 

PÁGINAS :: << Anterior | 1 | 2 | 3 | 4
 
 
Conhecimento Prático Literatura :: 04/12/14
Entrevista com a escritora Lygia Barbiére Amaral
Conhecimento Prático Literatura :: 03/12/14
O Sorriso Polêmico de João Ubaldo Ribeiro
Conhecimento Prático Literatura :: 04/12/14
Criativdade

Conhecimento Prático Filosofia :: Reportagens :: Edição 23 - 2010
Mito da Caverna:


Conhecimento Prático Filosofia :: Reportagens :: Edição 44 - 2013
A falsa citação de Voltaire


Conhecimento Prático Filosofia :: Idéias :: Edição 37 - 2012
O amor filosófico e o puro prazer


Conhecimento Prático Filosofia :: Capa :: Edição 28 - 2011
Hannah Arendt, pensadora da política e da liberdade



Edição 57

Saiba antes de todos as novidades da revista




Capa
Reportagens

Assine
Anuncie
Expediente
Fale Conosco
Mande sua sugestão
Favoritos


Faça já a sua assinatura!

Filosofia


Assine por 1 ano
12x de R$ 9,80
Assine!
Outras ofertas!
Conhecimento Prático Geografia

Assine por 2 anos
12x de R$
9,80
Assine!
Outras ofertas!
Conhecimento Língua Portuguesa

Assine por 2 anos
12x de R$
9,80
Assine!
Outras ofertas!
Conhecimento Prático Literatura

Assine por 2 anos
12x de R$
9,80
Assine!
Outras ofertas!

  ContentStuff - Sistema de Gerenciamento de Conteúdo - CMS