Reportagens
Literatura E psicopedagogia

A importância da literatura na sala de aula


O papel dos livros, da leitura e do conhecimento da literatura na construção do indivíduo em formação, em sala de aula e nas intervenções pedagógicas


por Luciana Daniele Costa

Jacinto do Prado Coelho
Jacinto de Almeida do Prado Coelho (1920 - 1984) foi um crítico literário, ensaísta e professor universitário português. Era grande estudioso da língua portuguesa e dos escritores portugueses.

Na série Harry Potter, de J.K. Rowling, o estereótipo da bruxa má e feia, que conhecemos em nossa infância, é substituído por uma imagem glamurosa de ambos os gêneros de feiticeiros. Nos livros, as personagens infantis aprendem a afastar seus medos, enfrentando situações ridículas ou perigosas. As adaptações cinematográficas tiveram uma grande repercussão no universo infantil. Harry Potter é uma criança com poderes especiais desejados por aqueles que se identificam com o filme e que, por isso, acabam dominando seus medos, transformando-os em poder interior. Por meio da ficção, a criança, portanto, aprende a enfrentar sua realidade e viver além de sua vida imediata, vivenciando outras experiências. Por isso, seduz e encanta, mesmo sem tarefa, sem nota, sem prova, a literatura educa e, portanto é importante pedagogicamente.

Do imenso leque de obras literárias para o trabalho em sala de aula, uma delas se destaca servindo de sustentáculo de nossa educação formal. É o livro Meu pé de laranja lima, que será um grande instrumento para transformação e remodelação no processo de intervenção pedagógica para o aluno com dificuldades. Meu pé de laranja lima, de José Mauro Vasconcelos, serve de modelo para a compreensão de que a literatura dentro da intervenção pedagógica pode caminhar junta, tornando-se um estímulo para nossos alunos do ensino fundamental, que chegam a essa fase escolar sem um parâmetro de leitura, que segue o sentido contrário a um dos pilares da educação mineira, que se trata de "Toda criança lendo e escrevendo até os 8 anos".

Um aluno em idade de 11 anos, que não percebe a leitura, não adquiriu o conhecimento por meio dos sentidos da leitura, necessita de um ajustamento, uma intervenção pedagógica, pois houve problemas nos anos iniciais de sua formação. De acordo com Bernardo Toro, vice-presidente de relações públicas da Fundação Social, entidade civil cuja missão é combater a pobreza na Colômbia, se a criança não aprende, não culpe a criança, culpe o método que o professor usou para ensinar. Nesse sentido, entra o trabalho do psicopedagogo, do supervisor e do professor da instituição, juntamente com os pais.

Na realidade da sala de aula, para estudo e análise, Meu pé de laranja lima é um livro extremamente marcante, comovente e triste. Marcante pela ironia da sua história, comovente pela simplicidade transmitida e com que é escrito e triste pela dor e pelas perdas retratadas. Um livro simples que transmite uma mensagem e sentimentos sutis e profundos. Com uma mescla de turbulentas emoções e pequenas conquistas e vitórias, vividas pelas personagens, que vêm ao rubro de forma simples e eloquente em cada palavra. Neste livro o mais importante não é os grandes feitos ou qualquer outro ato considerado por nós, na nossa cegueira e egocentrismo, digno e merecedor de importância, mas sim as pequenas coisas que no fundo acabam por ser as mais bonitas e importantes; as pequenas vitórias; a dor e a conquista, do mundo real e da vida real, que acabam por ter uma fantasia mais doce e bonita e um misticismo mais profundo do que as grandes lendas ou histórias, apenas pelo que são.

É possível ampliar no aluno sua capacidade da oralidade, viver experiências alheias narradas e vivenciadas no imaginário pessoal

Meu pé de laranja lima, como tantos outros clássicos da nossa literatura infantil, contribui para o encontro da criança com a literatura, para o desenvolvimento de sua competência leitora condição necessária, uma vez que esta deverá ser resgatada sem ter a pretensão de fazer análise literária, mas sim que realçar alguns elementos importantes para compreensão do aluno, como enredo tempo, espaço, personagens, que comentem sobre as peculiaridades das obras, contextualizando-as em relação ao estilo de época, ao estilo individual, e também a certos aspectos que são específicos da linguagem literária, como o uso de imagens, as marcas da oralidade, o ritmo da narrativa etc.

Há obras que de alguma forma são capazes de transformar o leitor, e a consagrada obra de literatura fantástica O Pequeno Príncipe é uma delas, quase uma ficção científica, que transmite ensinamentos, amizade e companheirismo. Uma das mais belas obras, escrita por Antoine Jean Baptiste Roger de Saint-Exupery, capitão e piloto de aviões. Fazia reconhecimentos aéreos e morreu em sua última missão, em 1944, aos 44 anos de idade. Foi um escritor de grande sensibilidade, com grande preocupação com o sentido do humano e da existência. Em uma narrativa poética vai elaborando sua visão de mundo e mergulha no próprio inconsciente. De repente retornamos aos nossos sonhos infantis e reaparece a lembrança de questionamentos acomodados. É uma obra que nos apresenta uma profunda mudança de valores. Pelas mãos desse autor, o leitor apossa-se de muita sabedoria e do discernimento do que é essencial, em sua narrativa metafórica.

Com ela, podemos trabalhar a construção e o reconhecimento da identidade por meio de projeção e identificação, aspectos e processos psicológicos presentes na experiência de contato da criança com a obra literária, considerando o imaginário enquanto campo vivencial, dotado de significados e conceitos, tal qual a experiência concreta.

Também é possível ampliar no aluno sua capacidade da oralidade, viver experiências alheias narradas e vivenciadas no imaginário pessoal.

Como a literatura infantil prescinde do imaginário das crianças, sua importância se dá a partir do momento em que elas tomam contato oralmente com as histórias, e não somente quando se tornam leitores.

Desenvolver o interesse e o hábito da leitura é um processo constante, que começa muito cedo, em casa, aperfeiçoase na escola e continua pela vida inteira.

Luciana Daniele Costa é graduada em Letras, Especialista em Educação Inclusiva e Psicopedagogia. Atua como educadora no sistema público de ensino de Minas Gerais.

 

PÁGINAS :: << Anterior | 1 | 2
 
 
Conhecimento Prático Geografia :: Reportagens :: Edição 53 - 2014
Gravidez na adolescência
Conhecimento Prático Geografia :: Reportagens :: Edição 53 - 2014
Pacto pela mobilidade urbana
Conhecimento Prático Geografia :: Reportagens :: Edição 53 - 2014
Negros no Brasil

Conhecimento Prático Filosofia :: Reportagens :: Edição 23 - 2010
Mito da Caverna:


Conhecimento Prático Filosofia :: Reportagens :: Edição 44 - 2013
A falsa citação de Voltaire


Conhecimento Prático Literatura :: Reportagens :: Edição 37 - 2011
A importância da literatura na sala de aula


Conhecimento Prático Geografia :: 06/03/12
Xenofobia na europa: Os padrões atuais de migração internacional



Edição 49

Saiba antes de todos as novidades da revista




Capa
Reportagens

Assine
Anuncie
Expediente
Fale Conosco
Mande sua sugestão
Favoritos


Faça já a sua assinatura!
Conhecimento Prático Filosofia

Assine por 2 anos
12x de R$ 9,80
Assine!
Outras ofertas!
Conhecimento Prático Geografia

Assine por 2 anos
12x de R$
9,80
Assine!
Outras ofertas!
Conhecimento Língua Portuguesa

Assine por 2 anos
12x de R$
9,80
Assine!
Outras ofertas!
Conhecimento Prático Literatura

Assine por 2 anos
12x de R$
9,80
Assine!
Outras ofertas!

  ContentStuff - Sistema de Gerenciamento de Conteúdo - CMS