Reportagens
Literatura E psicopedagogia

A importância da literatura na sala de aula


O papel dos livros, da leitura e do conhecimento da literatura na construção do indivíduo em formação, em sala de aula e nas intervenções pedagógicas


por Luciana Daniele Costa

 

"O leitor que mais admiro é aquele que não chegou até a presente linha.
Neste momento já interrompeu a leitura e está continuando a viagem por conta própria"

Mário Quintana

Por meio da literatura, o aluno satisfaz suas necessidades, sendo-lhe permitido assumir uma atitude crítica em relação ao mundo, advinda das diferentes mensagens e indagações que a literatura oferece. Como escrevia Jacinto do Prado Coelho, "não há disciplina mais formativa que a do ensino da literatura. Saber idiomático, experiência prática e vital, sensibilidade, gosto, capacidade de ver, fantasia, espírito crítico - a tudo isso faz apelo à obra literária, tudo isto o seu estudo mobiliza".

A criança que lê desenvolve o senso crítico e melhora a escrita. Para tanto, devemos incutir em nossos alunos que a literatura é algo bom, natural, fácil e prazeroso e não exige esforços nem dificuldades. Sendo assim, faz- se imprescindível que o convívio com os livros extrapole o desenvolvimento sistemático da sua escolarização e que a literatura passe a ser difundida com mais intensidade nas escolas.

Sabemos que a literatura, seja ela brasileira ou estrangeira, não está tão presente nas salas de aula quanto deveria. Isso porque para muitos professores a literatura é um conteúdo sem significado, pois não tem um objetivo técnico, preciso de obter algum conhecimento. Ou seja, a literatura só tem valor acompanhado de algum ensinamento objetivo, exato e que possua estritamente cunho pedagógico. Nenhum professor de literatura deverá inibir-se de pôr em prática leituras, comentários ou interpretações que estimulem nos estudantes a sensibilidade, o senso crítico, a capacidade argumentativa, e sejam assim susceptíveis de lançar alguma luz sobre essa realidade indefinível a que chamamos universo literário.

Daí, a problemática de que temos nos ocupado para consolidar a presença da Literatura no elenco do ensino discente, visto que a literatura se apresenta como veículo criador e socializador da linguagem e dos valores que acreditamos nos identificam. Em decorrência, a presença da literatura na escola propicia a exploração de inúmeras possibilidades de educação no desenvolvimento social, emocional e cognitivo do aluno. Ao longo dos anos, a educação preocupa-se em contribuir para a formação de um indivíduo crítico, responsável e atuante na sociedade. Isso porque se vive em uma sociedade onde as trocas sociais acontecem rapidamente, seja por meio da leitura, da escrita, da linguagem oral ou visual. Diante disso, a escola busca conhecer e desenvolver no aluno as competências da leitura e da escrita apenas através de atividades de leitura que eles não gostam de ler e fazem-no por obrigação. No entanto, a literatura não está sendo explorada como deve nas escolas e isto ocorre em grande parte, pela pouca informação dos professores. A formação acadêmica infelizmente não dá ênfase à leitura e esta é uma situação contraditória, pois segundo comentário de Machado "não se contrata um instrutor de natação que não sabe nadar, no entanto as salas de aula brasileira estão repletas de pessoas que, apesar de não ler, tentam ensinar". A literatura tornar-se uma grande aliada do professor e pode influenciar de maneira positiva neste processo. Assim, Bakhtin expressa sobre a literatura abordando que por ser um instrumento motivador e desafiador, ele é capaz de transformar o indivíduo em um sujeito ativo, responsável pela sua aprendizagem, que sabe compreender o contexto em que vive e modificá-lo de acordo com a sua necessidade.

De fato, à interpelação contida no objeto de conhecimento - os textos literários - corresponde o envolvimento (e a implicação) do leitor no processo de leitura. Este, por sua vez, desencadeia hábitos de reflexão, de interrogação e de crítica que afetam o processo de transmissão, impedindo a sua cristalização em fórmulas ou técnicas estereotipadas.

Com o gênero literário Contos de Fadas, podemos responder a várias perguntas, analisando principalmente a situação da personagem "bruxa" dos contos fantásticos. As mulheres sempre tiveram uma relação muito próxima com a natureza. Algumas delas usavam ervas e raízes para a cura de doenças, e isso fez com que fossem consideradas curandeiras, porque o povo buscava com elas ajuda para seus males. Essas mulheres eram mais velhas e passaram a ser conselheiras da comunidade, ameaçando o poder patriarcal, especialmente a partir do momento em que a Igreja Católica começa a governar junto com o Estado. Ao ser criada a Inquisição, mulheres foram torturadas e mortas em fogueiras, pois eram tidas como pagãs e cúmplices do diabo. Na verdade, simplesmente usavam forças da natureza evocadas por meio de orações, com o que acreditavam ajudar o povo.

Equivocadamente vistas como seres do mal, essas mulheres tiveram sua morte justificada. Por esse motivo, a imagem que delas foi perpetuada é a de velhas e feias, portanto motivo de medo para as crianças. Essas ideias, até hoje, são reproduzidas em livros infantis. Isso também contribui para o preconceito contra a mulher, embora houvesse homens bruxos. E assim as bruxas se tornaram grandes personagens dos contos de fadas, eternizando-se por meio do folclore literário.

Para Bettelheim, a simbologia que existe nos contos de fadas auxilia as crianças a encontrar significado para a vida. Elas se identificam com as personagens no enfrentamento de perigos, representados por situações novas e surpreendentes. O medo infantil se associa ao medo de ficar independente e crescer. Está relacionado, na verdade, à perda da proteção da mãe, pois o crescimento é um conflito entre o desejo da separação e, ao mesmo tempo, o medo dessa separação.

 

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