Lima Barreto é homenageado na 15ª edição da FLIP

A literatura militante e a crítica à sociedade aristocrática e ao nacionalismo ufanista da Primeira República consagraram o jornalista carioca como um dos maiores escritores brasileiros de todos os tempos

Por Caroline Svitras | Foto: Reprodução Internet

Amanhã acontece a inauguração da 15ª Festa Literária Internacional de Paraty, um dos maiores eventos brasileiros dedicados à literatura. Todos os anos, escritores, cineastas, músicos, profissionais do teatro e outras artes reúnem-se às margens do rio Perequê-Açu para discutir e divulgar novas obras, tendências, trocar experiências e enriquecer a bagagem cultural do público, além de prestar suas homenagens à figura brasileira da vez.

Neste ano, o evento exalta a produção de Lima Barreto, jornalista carioca que viu nascer a República Velha e nela se inspirou para dar vida à sua obra. Um dos mais aclamados textos do escritor, Triste fim de Policarpo Quaresma, é um grande exemplo do gênero que ficou conhecido como pré-modernismo brasileiro. Originalmente publicado em folhetim, o escrito é narrado em uma terceira pessoa imparcial, que não julga ou comenta as atitudes e decisões das personagens, para que o próprio leitor guie suas suposições. A história retrata a trajetória de um patriota que é mal visto por sua comunidade em decorrência dos ideais que defendia e do modo de vida que levava. Com uma série de críticas aos costumes da época, Triste fim de Policarpo Quaresma revela a marca crítica de Lima Barreto na literatura. O autor é conhecido por sua temática social e exaltação dos pobres.

Em 1919, meses antes de sua segunda internação por alcoolismo, o carioca publica Vida e Morte de M.J. Gonzaga de Sá. A narrativa retrata a construção de uma biografia post mortem de Gonzada de Sá produzida pelo amigo do personagem, Augusto Machado. O enredo não-linear da história manifesta o apelo filosófico da obra, que traz questionamentos existenciais pautados no desgosto cada vez maior de Gonzaga de Sá para com a vida. O livro é considerado a mais genial composição do escritor.

Lima Barreto veio a falecer no Dia de Todos os Santos de 1922, aos 41 anos, vítima de um colapso cardíaco. Grande parte de sua produção veio a ser publicada postumamente.

Confira mais sobre Lima Barreto na reportagem: O português de Lima Barreto