Leitura de A Cidade e as Serras

Por Edson Tosta da Silva e Margarete Migão de Melo | Fotos: Shutterstock | Adaptação web Caroline Svitras

Este artigo analisa as razões de leitura do livro A cidade e as serras do autor português Eça de Queirós, desenvolvida por dois jovens leitores, matriculados no 2° ano do Ensino Médio, informantes de uma pesquisa de campo, na Escola Estadual 28 de novembro, localizada no município de Ouro Preto do Oeste, estado de Rondônia.

 

 

 

A obra de Eça de Queirós ultrapassa o texto escrito, permitindo a livre circulação em outras linguagens, é preciso que o indivíduo que dela participa reconheça o valor dos conhecimentos ou experiências transmitidas pela palavra impressa. No resultado da pesquisa os leitores de Eça de Queirós, mesmo após algum tempo passado eles ainda recordaram de algumas passagens do texto literário, pois responderam a maior parte do questionário. Na prática constatamos um diagnóstico de problemas que envolvem o ato de ler e que influem negativamente na prática da leitura, bem como a detecção dos focos de interesses dos alunos relativos à obra literária.

 

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A leitura e os leitores

A leitura de Eça de Queirós “A cidade e as serras” faz parte da nossa literatura, esta que tem sido ao longo da história uma das formas mais importantes de que se dispõem o homem, não só para o conhecimento do mundo, mas também para a expressão, criação e recriação desse conhecimento. Lidando com o imaginário e trabalhando a emoção, a literatura satisfaz sua necessidade de ficção e de busca de prazer.

 

Ler é viver no mundo das palavras, é sentir emoção vivendo o que há de mais belo no texto numa perspectiva de caminhos que instiga o leitor a fazer passeios inferenciais no texto como diz Umberto Eco em seu livro Seis Passeios Pelos Bosques da Ficção.

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Uma boa estratégia de leitura consiste em oferecer livros adequados ao nível etário dos alunos, em sala de aula, com o objetivo de despertar no aluno o gosto pela leitura. Essas estratégias não dizem respeito só ao aluno, mas a um conjunto de ações que envolvem a família e todos os professores independentemente da disciplina. Tais conhecimentos provenientes de diferentes áreas disciplinares e simplificam leitura reflexiva de diferentes textos e uma clareza na troca de conhecimento, isso se deve à capacidade de interpretação que o leitor traz consigo. Segundo Granjeiro, “Quando lemos, nossa enciclopédia individual, nosso repertório, interfere na produção de sentidos, pois ler não significa simplesmente decodificar um texto ou extrair a ideia principal de um autor. Significa sofisticar ampliar o repertório prévio do leitor para este poder interagir com múltiplos textos”.

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A leitura ajuda a formar seres pensantes, através dela desenvolvemos um conjunto de habilidades, de interpretação e na reconstrução do sentido e das intenções pretendidas pelo autor. A leitura desenvolve no educando a visão crítica, participativa e o compromisso social, pois proporciona no mesmo à autonomia e compreensão das diferenças e do mundo em que vive. Podemos observar que através de um questionário que faz parte de um projeto de pesquisa desenvolvido no semestre passado foi elaborado algumas perguntas aos leitores e ao responder este questionário podemos observar que esses leitores se relacionaram com a obra, devido à interpretação que eles tiveram em responder as perguntas.

 

A constituição do indivíduo, enquanto leitor é um direito e uma necessidade de todos, o que se constata, no entanto, é que a realidade da formação do leitor é decorrente de uma série de fatores que deveriam ser observados tanto pela escola quanto pelos pais ou responsáveis.

 

Todo leitor deveria ter a liberdade de escolher o tipo de leitura que mais gosta, as narrativas possibilitam o interesse pela leitura isso já faz parte da espécie humana, o leitor é dependente desse gênero, pois quando ainda criança mesmo sem ter conhecimento da leitura as narrativas já faz parte da vida das crianças. Sobre isso Millôr Fernandes nos diz: “A escola deveria propiciar a leitura de episódio de grandes narrativas, mesmo adaptadas: Odisseia, Ilíada, Lusíadas. E de Hamlet, Romeu e Julieta e Rei Lear (tão filmados!), entre outros clássicos, e episódios de livros ‘sagrados’, não como religião, mas componentes da cultura”.

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As experiências vindas com o leitor que traz referências de textos narrativos possibilitam um maior interesse por parte do leitor. Os textos curtos são prazerosos por despertar no aluno as curiosidades e ter habilidades de compreensão e interpretação, com isso o leitor toma o gosto pela leitura. Após alguma experiência de leitura comentada e contextualizada para explicitar aspectos da linguagem e dos temas, o leitor não teria dificuldade de ler textos mais complexos, com isso as escolas poderiam introduzir os textos da literatura com mais facilidades formando verdadeiros leitores com novos olhares pelo mundo das palavras encantadoras que nos fascina e nos enche de alegria “a melhor forma de obter conhecimento é estarmos cercados diante de bons livros”.

 

A leitura desenvolve no leitor a visão crítica, participativa e o compromisso social, pois proporciona no mesmo tempo à autonomia e a compreensão das diferenças e do mundo em que vive. Ler as obras de Eça de Queirós é adquirir novas práticas de leitura, pois suas obras levam ao leitor a tomar caminhos diferentes, a conhecer a cidade e os campos, e perceber os conflitos entre à vida rural e urbana.

 

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O leitor de Eça de Queirós é induzido a tomar caminhos diferentes, a conhecer a cidade e os campos, e perceber os conflitos entre a vida em diferentes espaços, é desenvolver sua espiritualidade, perceber como a amizade se perpetua nos seres humanos, observar que o materialismo não é o suficiente para completar o homem.

 

Ler para a maioria dos jovens ainda é ler na escola e ler por obrigação, para fazer uma prova ou até mesmo para apresentação do livro, são poucos que leem por prazer, sabemos que a quantidade de não leitores sempre foi maior que a quantidade de leitores, pois a literatura sobrevive muito bem por milênio graças aos leitores que delas desfrutam. A literatura de Eça de Queirós rompeu todas as barreiras, leva o leitor ao mundo imaginário. Ler as suas obras é sentir um pouco da vida do escritor. A literatura trabalhada em sala de aula muitas vezes prioriza apenas o panorama histórico, deixando de lado a leitura integral das obras, com essa visão de ensino os leitores são estimulados a lerem resumos dos livros. Jean Foucambert nos diz: “Desescolarizar a leitura significa que, tanto em relação às crianças quanto aos adultos, todas as instâncias educativas devem ter o cuidado de formar o leitor sob o ângulo da técnica e do manuseio do livro”.

 

É preciso fazer com que os leitores conheçam a diversidade das obras literárias lendo com uma linguagem feita para os olhos.

 

Nesse sentido, ser leitor de obras de A cidade e as serras implica gostar de leituras que analisem as condições do ser humano, a vida social, implica comungar análises do sistema clerical e por que não dizer permitir a si uma reflexão sobre as coisas do espírito.

 

Adaptado do texto “Razões de leitura de A Cidade e as Serras”

Revista Conhecimento Prático – Literatura Ed. 50