Histórias infantis ajudam na criação do caráter do adulto

As histórias infantis reforçam a autoestima, pois transmitem às crianças e aos adolescentes, de forma mágica, que uma luta contra as dificuldades graves da vida inevitável, é parte da existência humana — mas que se elas não se intimidarem, serão capazes de dominar todos os obstáculos e serem vitoriosas.

Por Tania D. Queiroz*  | Foto: Shutterstock | Adaptação web Caroline Svitras

 

 

As histórias mais simples transmitem pensamentos complexos que afetam a nossa visão do mundo. Um personagem pode despertar nossas crianças e jovens para a vida, podem reforçar a sua autoestima e autoconfiança, por isso, precisamos cultivar o hábito de contar as histórias falando de cada personagem com alma, paixão, emoção e com sentimentos!

 

Os contos de fadas, os mitos, as lendas, não são histórias ingênuas apenas para divertir as crianças, são espelhos das experiências humanas, com toda uma gama de possibilidades de vir a ser.

 

Elas tocam sentimentos poderosos, elas refletem as ações, a estrutura emocional e psicológica, a personalidade, os pensamentos, os sentimentos dualistas dos seres humanos que muitas vezes permanecem escondidos. Elas desnudam as máscaras do ser humano! Todos, sem exceção em nossa sociedade, deveriam contar histórias para as crianças e jovens antes de eles dormirem. Contar histórias é encantar a alma!

 

Muitos pais, lendo este artigo podem questionar:

– Mas as histórias não são repletas de bruxas más, dragões, magos negros que tramam para prejudicar as princesas e os príncipes? Elas não trazem muita disputa, guerras, dores e todos os tipos de sofrimentos? Em verdade, essas histórias colocam as nossas crianças numa situação de enfrentamento, conflito, luta, batalha — situações correlatas à condição humana — de forma mágica, sem que elas percebam!

 

 

Ler e aprender a crescer

Assim, as crianças e os jovens aprendem com as histórias que crescer é ir de encontro com os problemas, com as dificuldades, com os conflitos, com todas as discrepâncias humanas. Aprendem que crescer é aprender a ser justo, verdadeiro, solidário, é saber perder, enfrentar derrotas e proteger os mais fracos e os oprimidos. Compreendem que crescer não é fugir dos problemas, mas enfrentá-los sem medo, apesar do medo, com coragem, força, fé e com a cabeça erguida.

 

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As histórias deixam claro que não estamos sozinhos. A sua sabedoria oculta diz que se formos bons e generosos, ou seja, virtuosos, nos momentos de grandes desafios e sofrimentos sempre surgirá alguém para nos ajudar.

 

Se nossas crianças e jovens puderem acreditar que se forem bons sempre serão ajudados e que não vão jamais sucumbir frente a qualquer obstáculo, qualquer dificuldade que encontrarem na vida, vão perceber que não vale a pena fugir dos problemas ou se desesperar quando eles acontecerem. Saberão que com fé, paciência, força, coragem, amor, serão vitoriosos e serão recompensados no final.

 

 

Nas teias da fantasia, para que a felicidade os alcance, aprenderão que só terão uma alternativa: a de caminhar persistentemente pela vida, repletos de coragem, esperança, amor na busca das soluções para seus desafios.

 

Nas histórias, nossos jovens podem obter um consolo muito maior de um personagem do que com o esforço do seu pai para consolá-los, baseado no seu raciocínio, em discursos, que para eles são simples lição de moral e muito blablablá.

 

As histórias apresentam heróis e heroínas que buscam incansavelmente a realização dos seus sonhos, movidos pela coragem, pela esperança, mas não escondem as dificuldades da vida, os dilemas da condição humana, enfrentam seus medos, inseguranças, inimigos ferozes, enfrentando perigos de todos os tipos. Tudo o que faz parte da vida humana é exposto de maneira clara e sem subterfúgios, mas de forma encantada.

 

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Os personagens nunca desistem de seus sonhos

As histórias transmitem às crianças, de forma mágica, que uma luta contra as dificuldades graves da vida é inevitável, é parte da existência humana — mas que se elas não se intimidarem, se confrontarem de modo firme, elas dominarão todos os obstáculos e, ao fim, emergirão vitoriosas, realizarão seus sonhos e, a exemplo dos heróis, jamais ficarão inertes, desesperançadas, desanimadas, descrentes, estagnadas. Lutarão e vencerão seus inimigos externos e internos!
As histórias falam ao coração das crianças e jovens, elas as socorrem, auxiliando-as em seus medos, dúvidas, em suas dificuldades. Por isso, elas não se cansam de ouvi-las!


Os personagens aliviam as tristezas internas, dão esperança de que tudo acabará bem. As crianças e jovens se identificam com os personagens e passam a viver com eles suas aventuras, desventuras, problemas, dificuldades — que, no fundo, são semelhantes às suas, porque as histórias refletem os dilemas existenciais de toda a humanidade.

 

O auxílio nasce da maneira como os personagens reagem e agem diante de todas as tramas e dramas. E, pode ver, o final é sempre feliz. Os personagens nunca desistem de seus sonhos. Sofrem, lutam, são humilhados, machucados, prejudicados, mas nunca, nunca desistem e sempre vencem o mal.

 

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Será que é uma tarefa fácil vencer um dragão ou uma bruxa malvada para salvar uma linda princesa? Claro que não! Diria que é uma tarefa quase impossível! E a nossa vida, por acaso, não é repleta de muitos dragões?!
Será que sofremos represálias o tempo todo, de todo tipo? Muitas vezes não pensamos em desistir, sem nunca saber quando poderemos ser atacados ou destruídos? Não sentimos medos, inseguranças?

 


Nos momentos de desespero, nos lembramos das histórias que nossos pais nos contavam e que nos falavam da coragem, da força, da esperança e voltamos a sonhar, a ter forças para acreditar que tudo pode dar certo no final.
Será que esses exemplos não podem nos ajudar e a ajudar nossas crianças e jovens a se manterem calmos e otimistas no meio de uma tempestade existencial?

 

Precisamos nos condenar a ser eternamente crianças para poder ver a beleza do mundo, as borboletas amarelas e as azuis…

 

 

 

*Tania D. Queiroz é Professora graduada em História, pedagoga, pós-graduada em Didática, pós-graduada em Psicodrama pela PUC, Pós-Graduada em Tecnologias aplicadas à Educação, consultora pedagógica e palestrante.

Adaptação do texto “Histórias infantis e a formação de uma personalidade preparada para enfrentar os conflitos da vida adulta”

Revista conhecimento Prático – Literatura Ed.64