Entrevista com Cida Simka

Em um romance de “terror para adolescentes”, a autora propõe ao leitor a decisão sobre o final da história. Nesta entrevista ela comenta sobre a obra, seu público-alvo e sua intimidade com a leitura.

Por Sérgio Simka* | Fotos: Divulgação | Adaptação web Caroline Svitras

Maria Aparecida Silva Simka (Cida Simka) é licenciada em Letras pelas Faculdades Integradas de Ribeirão Pires (FIRP). Coautora do livro “Ética como substantivo concreto” (Wak Editora, 2014), autora do artigo Ética na escola, publicado na revista Conhecimento Prático Língua Portuguesa (agosto de 2015) e autora do livro “O acordo ortográfico da língua portuguesa na prática” (Wak Editora, 2016). Idealizadora, com o professor Sérgio Simka, da série Mistério, publicada pela Editora Uirapuru. Tem experiência na área de Letras, trabalhando bastante ultimamente com metodologias ativas para o ensino e aprendizagem da Língua Portuguesa, com ênfase no ensino da gramática, redação, ortografia, tema que será desenvolvido em sua dissertação de mestrado. Palestrante na CS Assessoria em Língua Portuguesa.

 

Sérgio Simka: Fale-nos um pouco sobre o livro.

Cida Simka: Trata-se de um livro de terror suave, se assim podemos dizer. A história começa quando um dos personagens, passando férias na casa de parentes, sente que o porão é mal-assombrado e passa a conviver com aquele medo, sem poder falar do assunto para as outras pessoas, por receio de que ninguém acredite nele.
O desejo em desvendar o segredo do porão teve início quando ele passou a ouvir barulhos e ver sombras, vultos, associando estes acontecimentos ao depoimento da dona da casa, que relatava o sumiço de objetos. O final ficará a critério do leitor, que terá de decidir, baseando-se nas narrativas, se há ou não a tal assombração.
Outro fator interessante no livro é a interdisciplinaridade, que pode ser trabalhada nas escolas, com crianças e adolescentes. No caso deste livro, o tema transversal é o uso de drogas, as chamadas lícitas.

 

Sérgio: Qual o motivo que a levou a escrevê-lo?

Cida: O livro foi escrito em coautoria com Sérgio Simka, meu marido. Começou com o convite do Sérgio para elaborar uma história para brincar com o imaginário do leitor, abordando o tema terror, mas de maneira sutil. Ao ser aprovado pela Editora Uirapuru, surgiu um novo desafio: escrever de forma que pudesse haver a possibilidade de transmitir uma mensagem implícita e que esta pudesse ser abordada de forma construtiva com a leitura.

 

Sérgio: Para você, o que é ser escritor? 

Cida: Ser escritor é poder levar ao leitor palavras de conforto, de motivação, de indignação. Mas, acima de tudo, é fazê-lo entender que é o momento de ser mais autêntico, de poder falar sobre tudo o que deseja, mesmo fazendo uso de um personagem fictício. Ser escritor é ser porta-voz de milhões de pessoas que ainda não se descobriram e não sabem o quanto possuem de capacidade, inteligência e direito à felicidade, ao respeito e à dignidade.

 

Sérgio: Como analisa a questão da leitura no Brasil?

Cida: Acredito que atualmente já está melhorando um pouco, pois vemos iniciativas tanto de entidades públicas quanto de pessoas físicas, que promovem trocas de livros, feiras de livros e criam projetos para aproximar o leitor do livro. Mas, para chegarmos ao ideal, ainda precisamos trabalhar muito.

 

Para o Brasil deixar de ser considerado um dos países com menor índice de leitores no mundo – cerca de 4,5 livros por ano, por pessoa –, mudanças de hábitos se fazem necessárias, principalmente a adoção de livros em escolas, em caráter obrigatório, em que o aluno lê somente para apresentar trabalho ou realizar atividades de compreensão e interpretação. Incentivar a leitura por meio de escolhas livres por parte dos alunos talvez seja uma forma de despertar o leitor. É claro que os grandes clássicos precisam ser trabalhados, pois serão cobrados nos melhores vestibulares, mas é preciso dinamizar a forma de lê-los. Necessitamos de ações efetivas que mostrem a leitura como passaporte para as melhorias que se fazem necessárias em nossas vidas, como possibilidade de transformar o sonho em realidade, o exemplo em algo possível, a inspiração em desejo e vontade.

*Sérgio Simka é professor universitário e escritor.

Adaptado do texto “Cida Simka: a autora do livro ‘O enigma da velha casa'”

Revista Conhecimento Prático – Literatura Ed. 69