Crônicas em sala de aula

Fotos: Shutterstock | Adaptação web Caroline Svitras

 

1. Escolha algum acontecimento atual que lhe chame a atenção. Você pode procurá-lo em meios como jornais, revistas e noticiários. Outra boa forma de encontrar um tema é andar, abrir a janela, conversar com as pessoas, ou seja, entrar em contato com tudo que acontece ao redor. Qualquer evento pode ser assunto para uma crônica.

2. Muito bem. Agora que você já selecionou um acontecimento interessante, tente formular algumas opiniões sobre esse fato. Você pode fazer uma lista com essas ideias antes de começar a crônica propriamente dita.
Frases como as que se seguem abaixo podem ser um bom começo para você fazer a sua lista:
“Quando penso nesse fato, a primeira ideia que me vem à mente…”
“Na minha opinião esse fato é…”
“Se eu estivesse nessa situação, eu…”
“Ao saber desse fato eu me senti…”
“Sobre esse fato, as pessoas estão dizendo que…”
“A solução para isso…”
“Esse fato está relacionado com a minha realidade, pois…”

 

Gênero e tipologia textual

 

Como você deve ter notado, é muito importante que o seu ponto de vista, a sua forma de ver aquele fato fique evidente. Esse é um dos elementos que caracterizam a crônica: uma visão pessoal de um evento.

3. Agora que você já formou opiniões sobre o acontecimento escolhido, é hora de escrever sua crônica. Seu ponto de partida pode ser o próprio fato, mas você também pode mencioná-lo ao longo do texto, após uma introdução que leve ao assunto.

Escreva! Pratique! E procure usar a criatividade para criar seu próprio estilo, pois é assim que nasce um bom cronista.

 

Crônica

“Assim eu quereria minha última crônica: que fosse pura como esse sorriso.”
Fernando Sabino

Amada por alguns, execrada por aqueles que a consideram um gênero menor, talvez por sua pseudossimplicidade – pois ninguém escreve uma boa crônica se não tiver desenvolvido um olhar crítico e sagaz sobre o cotidiano que fuja ao lugar-comum e incite à reflexão-, a crônica tem uma origem que remete ao início da era cristã.

 

 

Origem

Em seus primórdios, a crônica era apenas uma relação de fatos organizados em sequência cronológica, sem nenhuma participação interpretativa do cronista. Daí o nome crônica, do grego krónos, que significa “tempo”.
Até o século XIV, a crônica era escrita em latim, e narrava os fatos ocorridos durante cada reinado, quando com Fernão Lopes ela passou a ser escrita em português e a apresentar uma perspectiva individual dos fatos históricos. No entanto, foi somente no século XVIII, com o abade francês Julien-Louis Geoffroy (1743 – 1814) que a crônica deixou de ser história e transformou-se em gênero literário, pois constitui algo entre o conto (pelo recurso à fabulação) e a poesia (pelas marcas de subjetividade).

 


Em 1836, ainda por influência de Geoffroy, a crônica literária (ainda conhecida como “folhetim”), começou a ser cultivada no Brasil por José de Alencar, Joaquim Manuel de Macedo, Machado de Assis, Artur Azevedo e Olavo Bilac.

Na crônica moderna, sobressaem-se, Carlos Drummond de Andrade, Rubem Braga, Fernando Sabino, Humberto de Campos, Millôr Fernandes, Carlos Heitor Cony, Lourenço Diaféria, Luís Fernando Veríssimo, entre outros.

 

 

Crônica e educação: dicas para o professor

Nada melhor do que sugerir a seus alunos que leiam e, posteriormente, escrevam crônicas para instigar seu espírito crítico e levá-los a sair da zona de conforto.

 

 

Quando lemos uma crônica, entramos em contato com a visão de mundo do autor, a qual funciona como espelho e nos leva a refletir sobre o que pensamos sobre determinado tema. Portanto, fazer a análise crítica de uma crônica cuja temática seja pertinente ao nível de seus alunos pode estimular o questionamento, a troca de ideias e o debate democrático. Se possível, ao final da discussão, apresente um texto que mostre um ponto de vista antagônico. Isso instigará seus pupilos e os ajudará a desenvolver o espírito crítico diante de fatos, aparentemente, corriqueiros – afinal, toda moeda tem duas faces. Após essa etapa, é hora de incitá-los a escrever suas próprias crônicas, o que os levará a observar mais atentamente as pessoas e situações que fazem parte do seu dia a dia; o que, com o tempo, se tornará um hábito mais do que salutar. Além disso, ao escreverem crônicas, os alunos exercitarão a redação, pois a crônica demanda que os textos sejam claros e, ao mesmo tempo, criativos.

 

Uso criativo da pontuação

 

 

Tipos de crônica

A crônica, de modo geral, é vinculada ao jornalismo crítico. No entanto, a crônica possui suas peculiaridades e de acordo com Marina Cabral, especialista em Língua Portuguesa e Literatura, ela pode ser dividida em cinco categorias:

Lírica: o autor relata com nostalgia e sentimentalismo;

Humorística: o autor faz graça com o cotidiano;

Crônica-ensaio: o cronista, ironicamente, tece uma crítica ao que acontece nas relações sociais e de poder;

Filosófica: o autor faz uma reflexão de um fato ou evento;

Jornalística: o autor apresenta aspectos particulares de notícias ou fatos; pode ser policial, esportiva, política etc.

 

Adaptado do texto “Guia para escrever sua crônica”

Revista Conhecimento Prático Literatura – Ed. 52