Conheça a literatura infanto-juvenil de João Ubaldo Ribeiro

Conhecido por suas obras adaptadas ao cinema e à televisão, o jornalista e escritor baiano faleceu, mas seu legado permanece vivo no Brasil e no exterior

Por Edmilson José de Sá* | Foto retirada da revista | Adaptação web Caroline Svitras

Para os admiradores da literatura infanto-juvenil, Ubaldo deixou as obras Vida e paixão de Pandonar, o cruel, A vingança de Charles Tiburone e uma de suas últimas produções, com o título de Dez bons conselhos de meu pai, publicada em 2011. Falando na obra Dez bons conselhos de meu pai, o autor apresenta lições que podem ser aprendidas em casa, oferecidas pelo próprio progenitor.

Não seja tutelado -> Não permita que as pessoas resolvam as coisas por você, por mais que o problema seja chato de enfrentar. Não finja que acredita em nada do que não acredita, não deixe que lhe imponham uma opinião que você está vendo que não pode ser sua.

Não seja colonizado -> Tenha orgulho de sua herança, não seja subserviente com o estrangeiro, não se ache inferior. Coma o que gostar, fale como gostar, vista-se como gostar – seja como seu povo, não seja macaco.

Não seja calado -> Seja calado só por educação, até o ponto que isto não o prejudicar. Se prejudicar, só cale a boca quando deixar de prejudicar. Não seja insolente e não tolere a insolência.

Não seja ignorante -> Não ser ignorante é um dos mais sagrados direitos que você tem e, se você não usa voluntariamente esse direito, merece tudo o que de adverso lhe acontece. Se você sabe fazer bem o seu trabalho e conduzir corretamente sua vida, você não é ignorante. Mas, se recusar todas as oportunidades possíveis para aprender, você é. Se lhe negam o direito a não ser ignorante, você tem o direito de se rebelar contra qualquer autoridade.

 

O sorriso polêmico de João Ubaldo Ribeiro

Não seja submisso -> Reconheça suas faltas, mas não se humilhe. Não existe razão na natureza que diga que você tem de ser submisso a qualquer pessoa. Toda tentativa de submetê-lo é muitíssimo grave.

Não seja indiferente -> Ser indiferente em relação ao semelhante ou ao que nos rodeia, quer você seja religioso ou não, é um dos maiores pecados que existem, porque é um pecado contra nós mesmos, um suicídio.

Não seja amargo -> As coisas acontecem, aconteceram, ficam acontecidas. Se você for amargo, essas coisas continuam acontecendo. Construa sempre.

Não seja intolerante-> Alegre-se com a diversidade humana. Procure honestamente entender os outros. Só não seja tolerante com os inimigos conscientes e comprometidos com o seu fim.

Não seja medroso-> Todo mundo tem medo, mas a pessoa não pode ser medrosa. Para viver e fazer, é necessário manter uma coragem constante e acesa. Isto consiste em vencer a própria pequenez e é um dever e uma obrigação para com nós mesmos.

Não seja burro -> Sim, não seja burro. Normalmente, quando você está infeliz, você está sendo burro. Quando você está sendo explorado, você é sempre infeliz.

 

Revista Conhecimento Prático – Literatura Ed. 57

Adaptado do texto “O sorriso polêmico de João Ubaldo Ribeiro”

*Edmilson José de Sá é professor do Centro de Ensino Superior de Arcoverde (PE), Mestre em Linguística e Doutor em Letras. Contato: edmilsonjsa@hotmail.com