Compreendendo Vidas Secas

Confira análise da obra de Graciliano Ramos, que retrata o nordeste brasileiro e suas mazelas

Por Caroline Svitras | Foto: Wikimedia Commons

Com a época de Enem e vestibulares se aproximando, a preocupação dos alunos cresce quanto à exigência dessas provas. Porém, lembramos que o essencial é manter a calma e aproveitar estes últimos meses para revisar o conteúdo das disciplinas.

Para isso, resolvemos colaborar e preparar um material exclusivo sobre as obras obrigatórias de Literatura pedidas pela Fuvest. Já lançamos a primeira análise, sobre Memórias Póstumas de Brás Cubas, que pode ser lida aqui. O livro da vez é Vidas Secas, do alagoano Graciliano Ramos, cuja explicação é dada pelos professores de Língua Portuguesa e de Literatura do Colégio Oficina do Estudante na entrevista a seguir.

 

Você pode nos explicar melhor o período em que ela foi escrita e como o livro se relaciona com o contexto da época?

Vidas Secas foi escrito entre os anos de 1937 e 1938, e foi publicado em 1938. Nessa época, o Brasil vivia a ditadura de Getúlio Vargas (1882 -1954), e a obra se relaciona com isso retratando opressão político-econômica (coronelismo), repressão psicológica (isolamento dos indivíduos e falta de comunicação).

 

Qual o movimento ao qual pertence a obra? Quais suas principais características? 

A obra pertence a segunda fase modernista, conhecida como regionalista (por focar em uma determinada região). No caso de Vidas Secas, retrata o nordeste brasileiro e suas mazelas. A aridez do solo é expressa com a ‘secura’ do autor, econômico com os adjetivos e até com os nomes das personagens (como por exemplo, meninos). Além disso, Ramos utiliza o discurso indireto livre e narrativa não-linear.

 

Você pode citar alguns elementos no texto que explicitam características desse movimento?

A expressão verbal das personagens reflete a região onde vivem. A linguagem é estéril, semelhante à aridez do solo nordestino e à desumanização que ela promove nos seres humanos tão castigados. Devido ao flagelo da seca, são retirantes que não têm como continuar vivendo no mesmo local. E essa vida nômade é retratada pela fragmentação espacial do texto, que rompe com a linearidade temporal da narrativa. Por conta disso, os capítulos têm autonomia e não precisam ser lidos na sequência exata.

 

O que é importante que o estudante saiba sobre o escrito?

Vidas secas é uma crítica político-social; é uma obra expoente da segunda fase modernista; e rompe com a narrativa linear.

 

Bons estudos e boa prova!