Análise de Capitães da Areia

A obra de Jorge Amado chegou a ter exemplares queimados durante a Era Vargas por ser classificada como propaganda comunista na época

Por Caroline Svitras | Foto: Acervo Fundação Jorge Amado

Dando continuidade à nossa sequência de análises literárias para o Enem, o professor Silvio Bedani* oferece um resumo da obra Capitães da Areia, escrita por Jorge Amado.

 

Período e contexto histórico do escrito

O livro Capitães da Areia, publicado em 1937, balança as estruturas do Estado Novo. O regime repressor implantado por Getúlio Vargas chega a promover a queima de exemplares do livro, visto como um panfleto de propaganda comunista. E Jorge Amado parece ter mesmo esse objetivo. A história de amor entre Pedro Bala, o líder do grupo de menores abandonados e infratores, e Dora, uma menina órfã, que ainda cuida de Zé Fuinha, seu irmão mais novo, conquista de imediato o grande público, que passa a torcer pelo herói carismático e idealizado. Na última parte do livro, Pedro Bala, mais velho, torna-se um líder sindicalista, repetindo o exemplo de seu pai. Luta pelos pobres e oprimidos, desafia as estruturas sociais injustas, representadas em Salvador pelo elevador Lacerda, dividindo as classes sociais em “cidade alta” e “cidade baixa”.

Movimento e características

A obra de Jorge Amado é colocada, na tradicional divisão do Modernismo brasileiro, na segunda fase ou geração de 30, conhecida pelo romance nordestino. Além do autor de Capitães da Areia, outros expoentes desse grupo são Graciliano Ramos, José Lins do Rego e Rachel de Queiroz. A marca registrada dos livros desse período é a crítica social, a denúncia dos problemas brasileiros, principalmente os regionais, como a seca e a decadência dos engenhos de cana-de-açúcar. Após ter sido a região mais rica do Brasil no século XVII, o Nordeste enfrenta o atraso econômico, político e cultural representado pelo coronelismo. Embora o enredo de Capitães da Areia aconteça num centro urbano como Salvador, e o tema dos menores abando nados e infratores seja nacional, Jorge Amado sempre focaliza em suas obras o que é típico e característico da Bahia. Não faltam personagens relacionadas, por exemplo, à capoeira, como Querido-de-Deus, e ao sincretismo religioso, como a mãe-de-santo Don’Aninha.

 

A linguagem utilizada por Jorge Amado é bastante simples e acessível, uma vez que ela não pode constituir um obstáculo à compreensão. Levando em conta que se trata de uma obra política e engajada, o foco principal de Capitães da Areia está no conteúdo e na crítica social. Alguns regionalismos, termos típicos e característicos do Nordeste, podem até aparecer, mas não chegam a dificultar a leitura. Por mais que os oitenta anos de publicação possam criar um distanciamento, o livro continua agradando gerações de adolescentes e jovens.

 

*Silvio Bedani é professor de Professor de Português do Colégio Marista Arquidiocesano.