Abolicionismo brasileiro

Por Juarez Donizete Ambires* | Foto: Shutterstock | Adaptação web Caroline Svitras

Devido ao fato, esta nossa seleção nos levou em primeira instância a Castro Alves. Em sequência, fez-nos lembrar da sua ligação com a história americana, particularmente com conteúdo da década de 1860 que vale recuperar. Castro Alves, Antônio Frederico de Castro Alves (1847-1871), abolicionista convicto, acompanhou do Brasil a guerra civil americana e a campanha abolicionista e de alguns de seus teores se apropriou. Poemas seus dão-nos conta desta ligação, e ainda hoje pedem leitura. Na segunda parte de nosso escrito, comentaremos isto e outros fatos.

 

Foto: Wikipedia

Castro Alves é, na literatura brasileira, nossa maior voz abolicionista e, em sua biografia, a década de 1860 é importantíssima. Em verdade, é a vital para o seu fazer literário, já que o poeta viveu entre 1847 e 1871. A década em questão é a de suas experiências amorosas, acompanhadas de escândalos que sacudiram a opinião pública. Ainda é a do seu ingresso na faculdade de Direito, um dos cursos destinados aos filhos da elite da terra. Rivalizava com ele apenas o curso de Medicina, mas os rapazes com vocação para as letras preferencialmente buscavam o Direito. O curso, além da advocacia, abria as portas para a política, a magistratura e facultava algumas atividades para ganhos extras. O jornalismo era uma delas. Outra, o magistério, vinculado ao ensino de línguas e literatura, quando se tratava do jovem advogado.

 

 

Lendo Victor Hugo, vê-se tocado pelo sentimento de solidariedade aos destituídos de toda a sorte e efetua transferências. Hugo, em sua prosa, fala pelos desvalidos de seu país. Os enredos de Os Miseráveis (1862) e de Os Trabalhadores do Mar (1866), para exemplo, confirmam a assertiva. Castro Alves, na sua vez, chamado ‘O Poeta dos Escravos’, se expressa, na periferia do capitalismo, pelo escravo, sendo em tese a África e o Brasil os seus cenários. Antes, entretanto, o poeta cresce em consciência sobre as misérias e contradições da modernidade e, à sua maneira, explicita este fato. Em nossa leitura, sua poesia abolicionista comprova esta circunstância e lhe dá margem para ir além. O mesmo fato permite a ele inaugurar nossa terceira geração romântica, trazendo para o seio do nosso Romantismo a bandeira das lutas sociais.

 

Nos anos 1880 e nos centros urbanos do país, os abolicionistas são muitos e o movimento conquista mais e mais adeptos para a causa. A própria família imperial adere ao movimento. Castro Alves é um dos heróis da causa e a escravidão está por um fio, conforme a mensagem corrente. Logo, poemas do livro Os Escravos são sabidos de cor e recitados em eventos a favor da abolição.

 

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Adaptado do texto “Abolicionismo brasileiro em História e Literatura”

*Juarez Donizete Ambires é professor de Língua e Literatura Portuguesas no Centro Universitário Fundação Santo André. juarez.ambires@bol.com.br

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