A Educação Física na escola

Por Alexandre Magnus Magi* | Foto: Shutterstock | Adaptação web Caroline Svitras

 

A Educação Física, como disciplina, continua sendo mal gerida e mal interpretada pelos professores e responsáveis pela educação no país, talvez seja pelo seu passado tempestuoso no qual militares, ou voltando ainda mais no tempo, na época da coroa, usaram a educação do corpo na segregação racial, higienização, controle físico e intelectual da população, deixando marcas profundas e um preconceito em relação a esse campo de estudo.

 

Na década de 1970 o ensino da Educação Física ganhou proporções ideológicas e começou a ser visto como evolução na disciplina e elemento de segurança nacional. O caráter de “doutrina” e alienação fez com que se criasse uma distância sensível em relação às outras disciplinas e esse aspecto atravessou o tempo e ainda permanece,  embora a Educação Física atualmente tenha se adaptado ao estudo da vida saudável.

 

Atualmente, o profissional da área precisa estar capacitado em vários aspectos, entre eles Anatomia, Fisiologia, História, Literatura, e não ser apenas o professor que joga a bola e divide o time, sendo esse um senso comum tanto da população quanto dos teóricos da educação. O professor de Educação Física na prática não possui horários adequados para aprimoramento individual de seus alunos, o material utilizado normalmente se encontra em estado precário e muitas  vezes é necessário improvisar com recurso próprio.

 

O aluno da rede pública brasileira não possui sequer uma indumentária (uniforme) apropriada para a prática das aulas de atividade física. Criticar o profissional da área exigindo dele diversidade e contextualização em seus projetos é fácil, porém perceber que os mecanismos que disponibilizariam isso não estão presentes no seu cotidiano é o equívoco de quem critica. O material didático das outras disciplinas pode ser facilmente acessado enquanto que o material indispensável ao professor de Educação Física não possui a mesma mobilidade. Isso às vezes influencia o julgamento errado de que o profissional sempre utiliza a mesma metodologia.

 

Da mesma maneira que o professor de Educação Física sofre um pré-julgamento em relação ao seu plano de ação o aluno também pode se equivocar quanto a importância da Educação Física e do Esporte. Reunindo todos esses fatores somando ainda a baixa remuneração e o não reconhecimento por parte de outros profissionais, o professor de Educação Física se torna um verdadeiro herói, sem capa e espada, munido apenas do amor a sua profissão, do respeito para com a comunidade e da dedicação e responsabilidade para com seus alunos.

 

 

*Alexandre Magnus Magi é formado pela FEFISA em Educação Física e Professor de Artes Marciais graduado em Caratê.

Adaptado do texto “A Educação Física e seus heróis”

Revista Conhecimento Prático – Literatura Ed. 62