A Colômbia de Garcia Márquez

Em Cem Anos de Solidão, do prêmio Nobel de literatura Gabriel Garcia Márquez, somos apresentados à cidade de Macondo. Para os assíduos leitores do escritor colombiano, tal urbe soa familiar. É nesta paragem que se desenrolam os enredos encantados do autor.

Por Tiago Eloy Zaidan* | Foto: Wikimedia\Festival Internacional de Cine en Guadalajara| Adaptação web Caroline Svitras

Depois de envolver-se em um homicídio — classificado como crime de honra — José Arcádio Buendia e sua esposa Úrsula se embrenham na mata em busca de novos ares. Levam com eles um tropel de famílias aventureiras, seduzidas pelo espírito de liderança de Buendia.

 

Enfurnados, sem qualquer perspectiva de encontrar outra vila, e distantes o suficiente da paragem original, a ponto de não terem ânimo para voltar, o grupo se instala próximo a uma região de pântanos, e ali funda a vila, a qual se tornaria a cidade de Macondo.

 

Imensa trupe de personagens

Apesar de uma trupe imensa de personagens, as quais se sucedem no solo pródigo de Macondo à medida que os pais morrem e os filhos nascem, a solidão parece ser o fio essencial que amarra a obra e a torna una. Mesmo na casa da velha matriarca Úrsula, quase sempre cheia de netos e agregados, os moradores estão sós, às voltas com os seus dilemas, seus ódios, suas tristezas.

 

Eis o exemplo da própria Úrsula, a qual durante toda a narrativa assume o arquétipo do bom senso. Com o inclemente passar dos anos, decrépita, torna-se cega por conta da catarata. Todavia, com receio de ser marginalizada por sua senilidade, agravada pela cegueira, esconde a enfermidade. Memoriza todo o mapa da casa. Aguça os sentidos. E continua vivendo como se enxergasse. Na impossibilidade de ver as horas, atenta para a rígida e inconsciente rotina da casa, a qual lhe possibilita prever a altura do dia na qual se encontra.

 

Listado em 1999 entre os 100 livros mais importantes do século XX, pelo jornal Le Monde, para muitos, Cem Anos de Solidão é a obra-prima de Garcia Márquez.

 

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*Tiago Eloy Zaidan é mestre em Comunicação Social pela Universidade Federal de Pernambuco; graduado em Comunicação Social pela Universidade Federal de Alagoas; coautor do livro “Mídia, Movimentos Sociais e Direitos Humanos”.

Adaptado do texto “Sós em meio à balbúrdia de Macondo