A cidade se tornou foco e palco das narrativas literárias. Confira

O vocábulo cidade é de origem latina e vem da palavra civitas, civitatis, termo que pertence à terceira declinação. A terminação is do genitivo singular denuncia o pertencimento

Por Juarez Donizete Ambires* | Foto: Divulgação | Adaptação web Caroline Svitras

A cidade será, na justaposição, o espaço de novas exigências e novos comportamentos. Sua dinâmica imporá novas práticas e identidades, verdadeiramente modificará um quadro histórico. Devido ao fato, a literatura do século XIX a incorporará e a apresentará como o espaço do trabalho. Será também o espaço por excelência da modernidade. O universo literário francês incumbir-se-á de dar visibilidade e veiculação a este tema e mensagem. Karl Marx (1818 – 1883) é o grande leitor desta literatura e, na extensão, da cidade moderna. Ele e o romance francês atrelam-na ao capital e à existência das classes sociais que aparecem no contexto. A cidade assim se expressa em conteúdos da prosa de alguns dos escritores franceses. Honoré de Balzac (1799 a 1850) é um deles em vários dos romances de A Comédia Humana, título geral do conjunto de sua obra.

 

Do mesmo modo, a cidade também é apresentada, para exemplo, na poesia de Charles Baudelaire (1821 a 1867). Para este aspecto, o principal de seus livros é Flores do Mal, cuja publicação é de 1857. Nos poemas do livro, o espaço urbano está em voga. Todas as ações e fatos transcorrem na cidade que é muito habitada, em seus subúrbios e centro. A circunstância, todavia, provocará um estranhamento. Em Paris — a cidade de Baudelaire — muitas são as pessoas, mas grande é a solidão. As ligações da comunidade rural não vieram com a população deslocada. O novo espaço é outro tempo e tempo acelerado. Tudo transcorre às pressas e até mesmo o flirt fica prejudicado na nova dinâmica. O poema “A Passante” encaminha-nos a esta situação. Seu conteúdo afirma que, ao fim, o que fica é o movimento e a expectativa.

 

Com seus passos ligeiros, a moça logo desaparece dobrando a esquina. No ar, fica a ideia do contato não firmado. Entretanto, em paralelo fica também a intenção do que poderia ter sido. Do fato emanam certa frustração e camuflada tristeza. O ritmo acelerado, porém, não admite fixação no acontecimento. Karl Marx, paralelamente, trabalha com a ideia de que, na modernidade, as relações se dissolvem antes de sua solidificação. Para ele, mesmo o que já é sólido desmanchará no ar. A frase literal e a ideia pertencem ao Manifesto Comunista, de 1850, produzido em parceria com Friedrich Engels (1820 a 1895). Marx apreende o fato que é fenômeno social contido na cidade. O urbano é, por isto, o espaço da alienação. O ritmo acelerado do trabalho é o ritmo da vida. Nesta lógica, nada nos fica, porque o resultado do trabalho também não pertence ao trabalhador.

 

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Adaptado do texto “Cidade e Literatura: O caso Cesáreo Verde”

*Juarez Donizete Ambires é professor de Língua e Literatura Portuguesas no Centro Universitário Fundação Santo André; juarez.ambires@bol.com.br; http://lattes.cnpq.br/5231846291164013.