A Carta-Testamento de Vargas

O que Getúlio disse, talvez fingindo não querer dizer

Por Leo Ricino* | Adaptação web Caroline Svitras

 

“Não me acusam, insultam; não me combatem, caluniam e não me dão o direito de defesa. Precisam sufocar a minha voz e impedir a minha ação, para que eu não continue a defender, como sempre defendi, o povo e principalmente os humildes. Sigo o destino que me é imposto. Depois de decênios de domínio e espoliação dos grupos econômicos e financeiros internacionais, fiz-me chefe de uma revolução e venci. Iniciei o trabalho de libertação e instaurei o regime de liberdade social. Tive de renunciar. Voltei ao Governo nos braços do povo. A campanha subterrânea dos grupos internacionais aliou-se à dos grupos nacionais revoltados contra o regime de garantia do trabalho. A lei de lucros extraordinários foi detida no Congresso. Contra a justiça da revisão do salário mínimo se desencadearam os ódios. Quis criar a liberdade nacional na potencialização das nossas riquezas através da Petrobrás, mal começa esta a funcionar, a onda de agitação se voluma. A Eletrobrás foi obstaculada até o desespero. Não querem que o trabalhador seja livre. Não querem que o povo seja independente.

 
Assumi o Governo dentro da espiral inflacionária que destruía os valores de trabalho. Os lucros das empresas estrangeiras alcançavam até 500% ao ano. Nas declarações de valores do que importávamos existiam fraudes constatadas de mais de 100 milhões de dólares por ano. Veio a crise do café, valorizou-se nosso principal produto. Tentamos defender seu preço e a resposta foi uma violenta pressão sobre a nossa economia a ponto de sermos obrigados a ceder.

 
Tenho lutado mês a mês, dia a dia, hora a hora, resistindo a uma pressão constante, incessante, tudo suportando em silêncio, tudo esquecendo, renunciando a mim mesmo, para defender o povo que agora se queda desamparado. Nada mais vos posso dar a não ser o meu sangue. Se as aves de rapina querem o sangue de alguém, querem continuar sugando o povo brasileiro, eu ofereço em holocausto a minha vida. Escolho este meio de estar sempre convosco.

 

Quando vos humilharem, sentireis minha alma sofrendo ao vosso lado. Quando a fome bater à vossa porta, sentireis em vosso peito a energia para a luta por vós e vossos filhos. Quando vos vilipendiarem, sentireis no meu pensamento a força para a reação. Meu sacrifício vos manterá unidos e o meu nome será a vossa bandeira de luta. Cada gota de meu sangue será uma chama imortal na vossa consciência e manterá a vibração sagrada para a resistência. Ao ódio respondo com o perdão. E aos que pensam que me derrotaram respondo com a minha vitória. Era escravo do povo e hoje me liberto para a vida eterna. Mas esse povo de quem fui escravo não será escravo de ninguém. Meu sacrifício ficará para sempre em sua alma e meu sangue será o preço do seu resgate.

 
Lutei contra a espoliação do Brasil. Lutei contra a espoliação do povo. Tenho lutado de peito aberto. O ódio, as infâmias, a calúnia, não abateram meu ânimo. Eu vos dei a minha vida. Agora ofereço a minha morte. Nada receio. Serenamente dou o primeiro passo no caminho da eternidade e saio da vida para entrar na História.”

(Esta Carta-Testamento é um brinde de T.A. Queiroz, Editor, Ltda. – Rua Joaquim Floriano, 733 – 9º andar – CEP: 04534 – São Paulo, SP – Telefone: (011) 282-3576).

 

 

Introdução

Embora aqui foquemos nossa análise basicamente em dois elementos do discurso, os dêiticos e a interdiscursividade, é inevitável que outros tópicos sejam contemplados na exploração do discurso do texto, uma vez que a sua riqueza permitirá (e obrigará) várias incursões. Portanto, o foco escolhido não elimina estilhaços para outros aspectos dentro do mesmo campo da análise desse discurso até hoje intrigante. O objetivo desta interpretação é, mais do que destacar como os dêiticos atuam e mostram as posições dos sujeitos no discurso e as relações de força entre o eu-sujeito, a alteridade e o tu, mostrar como a interdiscursividade religiosa se torna, de fato, o discurso desta Carta-Testamento.

 

 

Contextos da produção

Reeleito com alarido, Getúlio Vargas (lembremo-nos de que em 1945, após a sua renúncia, uma facção do povo lançou o “Movimento Queremista”, cujo intuito era levá-lo de volta ao Governo) tinha de dirigir a Nação de uma forma diferente da que fizera antes: agora, naquele momento, o sistema era democrático e muitas forças lutavam pelo poder, diferentemente do que ocorrera durante o seu “mandato” anterior, especialmente durante o “Estado Novo”, momento em que ele teve plenos poderes.

 
A leitura dessa Carta-Testamento incita questões talvez irrespondíveis. Foi realmente Getúlio Vargas quem a escreveu? Teria sido encomendada? Ela foi produzida no dia do suicídio ou já vinha sendo escrita há tempo? Se, por acaso, vinha sendo escrita há muito tempo, foi uma equipe que a preparou? Foi redigida depois do suicídio, com a tentativa de amenizar um ato que poderia ser tachado de covardia? E teria sido sua filha, Alzira, a autora, para abrandar a violência do suicídio, na confissão de uma derrota acachapante? Teria sido Samuel Weiner, o jornalista fundador do jornal Última Hora, o seu autor? A carta expressa verdades ou é uma manipulação linguística para colocar Getúlio Vargas definitivamente na História? Enfim, muitas perguntas, nenhuma resposta. Porém, uma coisa é certa: ao lê-la, é quase impossível não captar, nas entrelinhas, a interdiscursividade religiosa. O seu produtor manipula a linguagem com astúcia e, aparentemente, consegue um dos seus intentos: fazer da derrota uma vitória, como veremos a seguir.

 

 

 

Os dêiticos

Os dêiticos são elementos linguísticos que reportam a um referente mostrado na própria expressão da enunciação. Há basicamente referência dêitica aos actantes, ao espaço e ao tempo, identificando a relação entre os interlocutores, sua posição e o momento em que ocorre a interação entre eles. Os dêiticos são o tripé EU<–––>TU, AQUI e AGORA, ou seja, pessoas, espaço e tempo.

 
Ainda há muita discussão sobre se o ELE, a pessoa de quem se fala, também seria um dêitico. Há autores a favor, como Berrendonner, que defende uma ampla tese nesse sentido, e autores contrários, como Cervoni. O primeiro, do qual pinçaremos só o essencial para este artigo, defende que, do mesmo modo que o eu e o tu, o ele, a que chama “fantasma da verdade”, é “um argumento dêitico que se refere a um participante do processo de comunicação”. E diz mais: “O mais notável parece-me ser aqui que o universo, isto é, o ‘contexto’ de todos os esquemas de comunicação, concebido como entidade referencial global, deve ser considerado como participante ativo”.

 


Todavia, no caso desta carta, também há uma ALTERIDADE, um enunciador oponente representado pelas “forças e interesses” que, pretensamente, se juntaram contra o locutor.

 
Na Carta-Testamento, objeto da nossa análise, os dêiticos marcam bem as relações de força entre o EU-LOCUTOR, a ALTERIDADE (O OUTRO) e as consequências para o TU-ALOCUTÁRIO. Ficam nitidamente marcados os lugares e as posições dos sujeitos, EU e TU, no discurso. Também ficam definidas as relações do AQUI e do AGORA, como se mostrará logo abaixo.

 
O lugar do sujeito empírico do discurso (aqui vamos aceitar que o autor da carta é realmente Getúlio Vargas) é o de autoridade máxima da Nação, mas a formação imaginária que ele almeja, que o torna sujeito (= locutor) do discurso na projeção de imagem do TU sobre ele é outra. Ele quer transformar a derrota em vitória e manipula a linguagem para atingir seu objetivo.

 


O EU-SUJEITO já se manifesta concretamente na primeira linha do texto: “… e se desencadeiam sobre mim”. Na negação polêmica entre o locutor e seu enunciador oponente, esse último apenas representado no discurso do locutor, como uma espécie de sujeito indeterminado da gramática normativa, “Não me acusam, insultam; não me combatem, caluniam…”, o EU-SUJEITO é traído pelo não dito do dito: “e não me dão o direito de defesa”. O não dito aqui, para o leitor atento, já deixa claro que o EU está derrotado, pois representando a autoridade máxima da Nação, deveria ter o direito de defesa emanado de sua própria condição (aqui estão nítidas a posição do locutor, que narra a mágoa e a revolta causadas pela impossibilidade de defesa, e a posição do enunciador que ele representa, cuja perspectiva é a confissão da derrota real: “e não me dão o direito de defesa”). Porém, fica claro que a autoridade está enfraquecida, dominada, e ele, o EU, que é caluniado, insultado, não tem o direito de defesa e, além disso, tem a voz sufocada e suas ações impedidas.

 
Essas informações, passadas exclusivamente pelo EU-SUJEITO, representam uma manipulação de linguagem que o torna tão vítima quanto o povo. Com os fatos por ele narrados, o povo também está indefeso. Logo, são dois derrotados. Mas ele destaca: aqueles, dentre o povo, que ele defende e sempre defendeu com maior ênfase, os humildes, são os mais prejudicados por essas forças e interesses coordenados contra eles, o EU e o TU, as duas vítimas.

 
Aqui já começa a ficar nítida a transposição do lugar empírico do sujeito para a posição dele no discurso: vítima e mártir. A primeira, a de vítima, é uma posição-causa do seu futuro ato, objeto, aliás, desta Carta-Testamento. A segunda, a de mártir, é uma posição-consequência, por causa dos interesses de outrem. A manipulação discursiva vai transformando o sujeito-vítima (cujas causas ele enumera em sequência gradual, destacando sua luta, suas vitórias e, finalmente, sua impotência) em sujeito-mártir, momento em que o interdiscurso religioso (de que falaremos mais abaixo) assume a força do verdadeiro discurso desta Carta-Testamento.
Os dêiticos vão esclarecendo ao leitor e ao alocutário quando o sujeito se dirige diretamente ao TU os momentos e os lugares da enunciação. Vão passando ao alocutário e ao enunciatário as perspectivas do enunciador, isto é, vão criando a perspectiva do trágico desfecho a que o sujeito se submeterá.

O português de Lima Barreto

 

O agora ganha sua dimensão logo de saída, quando o sujeito mostra o processo da ação contra o povo e, por extensão, contra ele mesmo, na expressão “as forças e os interesses contra o povo coordenaram-se novamente”, isto é, o verbo colocado no pretérito perfeito mostra o final de um processo, que se desencadeia sobre ele agora, neste momento, no presente do discurso e no presente do locutor.

 
O lugar do sujeito empírico também define o aqui: ele ainda é o presidente da República e fala do lugar que lhe cabe, física (o seu lugar de trabalho ou sua moradia) ou figuradamente (a posição de presidente). E a posição do sujeito falante, ilustrando a perspectiva do enunciador, também se define: ele está derrotado pelas forças e pelos interesses alheios.

 

 

 

A interdiscursividade que se transforma no discurso

Porém, essas novas posições do sujeito no discurso a que nos referimos no final do parágrafo antecedente ao acima, o de vítima e depois o de mártir, é que o levam à nova manipulação discursiva e a buscar uma interdiscursividade (mais do que intertextualidade) com o discurso religioso.

 
Antes, há o discorrer das causas que levaram o EU e o TU a se tornarem vítimas das forças e dos interesses alheios. O sujeito do discurso vai arrolando os percalços, sua luta, sua batalha contra essas forças: “Sigo o destino que me é imposto”. Ele foi o escolhido para combater essas forças: “fiz-me chefe de uma revolução e venci.”, “Iniciei o trabalho de libertação e instaurei o regime de liberdade social.”, “Tive de renunciar.”, “Voltei ao Governo nos braços do povo”. Embora o “Tive de renunciar” esteja aí presente, em todas as citações o EU se coloca, deiticamente, nas terminações dos verbos. São expressões que marcam vitórias e mudanças sociais. Marcam o destino do EU. Mas as forças subterrâneas jogaram seus tentáculos e começaram a minar suas façanhas. Os grandes lucros, barrados, transformaram as empresas internacionais em grandes aliadas das nacionais prejudicadas por leis trabalhistas que as sufocaram e essa soma se transformou em “forças” e “interesses contra o povo”.

 

O escritor Chico Buarque

 
Ainda assim, o EU destaca: levado de volta ao Governo nos braços do povo, “assumi o Governo dentro da espiral inflacionária…”, combateu “Os lucros… até 500% ao ano”, as fraudes de “mais de 100 milhões de dólares por ano”. Tudo na primeira pessoa do singular, EU, pois são lutas e vitórias pessoais, em que se empenhou com ardor.

 
No entanto, quando as forças o sobrepujaram, ele mudou o discurso da 1ª pessoa do singular para a 1ª do plural: o EU passa a NÓS, ou seja, as vitórias são dele, as derrotas são divididas com o NÓS: “Tentamos defender seu preço e a resposta foi uma violenta pressão sobre a nossa economia a ponto de sermos obrigados a ceder”. Ou seja, o EU enfrentou e venceu; o NÓS cedeu, perdeu. Todavia, no discurso, todos são DÊITICOS.

 

Antes de finalmente se dirigir diretamente ao outro sujeito, o TU, o sujeito do discurso ainda mostra seu verdadeiro sacrifício (ato sacro, sagrado, em benefício de outrem): lutou, lutou, lutou, mês a mês, dia a dia, hora a hora, “renunciando a mim mesmo”. Não tinha, pois, vida própria. Vivia única e exclusivamente para o povo.

 
Em outras palavras: o sujeito, desde o início, na posição mais de vítima e, posteriormente, de mártir do que qualquer outra, destaca seu destino, sua luta, sua renúncia à vida própria –, portanto sua dedicação ao outro –, as causas da sua derrota e, finalmente, mostrará a sua sina – a renúncia à própria vida –, que espera ser abençoada pelo povo.
Por isso, quando finalmente se dirige ao TU, o povo, que, diante das derrotas dele, o EU, também se quedava desamparado, fá-lo de forma dramática, acompanhando a mudança de posição do locutor de vítima para mártir:

 

“Nada mais vos posso dar a não ser o meu sangue”.

 

E o TU, tratado em uma forma extremamente respeitosa por parte do sujeito do discurso, se transforma em VÓS, uma forma nobre de tratamento e do reconhecimento de sua majestade. Afinal, o povo era o seu rei, o seu senhor, era a instituição a quem o sujeito do discurso servia como escravo e era a instituição a quem o seu sacrifício, lealmente, queria libertar:

 

“Meu sacrifício ficará para sempre em sua alma e meu sangue o preço do seu resgate”

 

Não nos esqueçamos, no entanto, de que VÓS também é uma forma cara ao discurso religioso. Está na relação entre as pessoas da Bíblia e no próprio discurso das orações das igrejas.

 
Foi a essa interdiscursividade religiosa que nos referimos bem acima: o sujeito assume praticamente o mesmo papel de Cristo. Ele se sacrifica, se oferece em holocausto (palavra forte para a época do AGORA do discurso, dada a proximidade do fim da 2ª Guerra Mundial e as lembranças ainda bem vivas da catástrofe humana que ela representou, acredite-se ou não, às aves de rapina). Assim, o povo acenderá “uma chama imortal na (…) consciência e manterá a vibração sagrada para a resistência”.

 

A manipulação da linguagem reforça a posição do sujeito como vítima e agora principalmente como mártir. Essa interdiscursividade religiosa, contrariada na essência pelo ato do suicídio em si, é a suprema superação do EU em benefício do TU, ser supremo a quem o sujeito servia e a quem se sacrifica para libertá-lo das pressões que o fizeram quedar:

 

“Era escravo do povo e hoje me liberto para a vida eterna. Mas esse
povo de quem fui escravo não será escravo de ninguém”

 

Ele, o EU, se proclamava escravo do povo e na hora em que se liberta não o faz, no discurso, com a conjunção “MAS”, que poderia indicar uma contrariedade, uma adversidade à situação de ser escravo, mas sim com a conjunção “E”, que indica um acréscimo, uma adição àquela condição. A adversativa, em uma de suas acepções semânticas, a de compensação, vem depois: o seu ato é trágico, mas libertará o povo.

 

Em outras palavras, sua derrota é sua verdadeira vitória, pois ao praticar seu ato, planta as condições de superação do povo:

 

“E aos que pensam que me derrotaram respondo com a minha vitória”

 

Sua vitória é essa capacidade de reação do povo, a não aceitação da condição de escravo que as forças e os interesses citados querem impor. Eis na derrota a vitória. Vitória no discurso, mas… vitória! Pelo menos na ilusão do sujeito.
Portanto, as comparações com Cristo, a interdiscursividade religiosa, são inevitáveis. O sujeito já não tinha vida própria e finalmente se sacrifica em benefício de todo um povo. Já destacamos antes que há uma contradição inerente aqui: a igreja cristã não aceita o suicídio. Mas esse é um ponto de vista fora do discurso analisado. Neste, o que vale é a intenção dessa aproximação com Cristo, dessa semelhança. Aliás, reforçamos o que já dissemos acima: o interdiscurso religioso é, nesta Carta-Testamento, o verdadeiro discurso.

 

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Quando o sujeito conclama o povo a lembrar-se dele nos momentos de agruras, nas humilhações, na fome, nas vilezas e vilipêndios que lhe imputarem e lhe assacarem, está buscando sua comparação com Cristo. A alma dele, do EU, estará com o povo e lhe dará a chama para a luta, para a superação, para a vibração sagrada da resistência. Ou seja, o mesmo processo que se usa em relação a Cristo.

 

 

 

Considerações finais

Em síntese, os dêiticos, na relação de força que destacam entre o EU – mostrando seu lugar e sua posição, o momento e o lugar de onde emanam suas intenções e suas condições –, o OUTRO (as forças e os interesses contra o povo) e o TU, o povo, a maior vítima do momento em que as forças e os interesses se coordenaram e desabaram sobre o sujeito do discurso, demonstram nitidamente as intenções desse sujeito de tentar oferecer a salvação ao povo com o seu holocausto, como Cristo fez há 2000 mil anos. Ou seja, como o sujeito do discurso pretendia ficar na História, usou o interdiscurso como seu próprio discurso.

 

 

 
*Leo Ricino – mestre em Comunicação e Letras, professor na Fecap (Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado) e instrutor na Universidade Corporativa Ernst & Young. E-mail: leoricino@yahoo.com.br

Adaptado do texto “Os Deiticos na Interdiscursividade da Carta-Testamento”

Fotos: Revista Conhecimento Prático – Literatura Ed. 53