Veja curiosidades sobre acrósticos

Você sabia que eles já existiam na Antiquidade com os gregos e latinos? Na Idade Média eram os monges que se ocupavam em compô-los. Saiba mais

Texto Luzdalva S. Magi*

A composição poética “acróstico” consiste em formar uma palavra ou frase vertical com as letras iniciais ou finais de cada verso gerando uma sequência significativa. Os acrósticos já existiam na Antiquidade com os gregos e latinos, na Idade Média eram os monges que se ocupavam em compô-los. Durante o período barroco, ao longo dos séculos XVI e XVII. Na atualidade ainda se pode encontrar esses artistas, eles estão presentes em todas as classes sociais e faixas etárias.

A palavra “Acróstico” originou-se do grego Ákros (extremo) e Stikhon (linha ou verso) na qual o prefixo indica extremidade, característica marcante dessa modalidade de composição poética. Seu Pedro de Castro Rocha é um poeta dos acrósticos e sua religiosidade é a fonte principal de inspiração. O objetivo desse comentário é resgatar essa modalidade poética e apresentar ao público leitor o trabalho de um de seus fervorosos adeptos. Abaixo, acróstico de Pedro de Castro Rocha:

Como é possível perceber, a arte do poeta é produzida a mão, em letra de forma a bico de esferográfica, um trabalho cheio de delicadeza e cuidado. Seu Pedro não frequentou universidade, mas possui inspiração e traquejo com o “mote”, vai tecendo sua narrativa poética de acordo com o que se lhe apresenta aos olhos do coração. Não compõe apenas as graças celestiais, já compôs tendo
como tema as cidades do país, os Estados, as pessoas. Acredita-se que o mais famoso acróstico da Antiguidade e de toda a História, sem dúvida, foi criado pelos primitivos cristãos. Tomando as letras iniciais da frase grega Iesous Christós, Theou hyiós, Soter (Jesus Cristo, Filho de Deus, Salvador), que era escrita com uma palavra abaixo da outra, formou-se o acróstico ichthus (peixe),
animal adotado como símbolo místico por esses religiosos. Eis o acróstico, em grego:

O acróstico atravessou o tempo, sobreviveu à modernidade e continua tendo os seus poetas, embora seja uma arte considerada simples, não deixa de ter sua beleza e, sobretudo, o valor de uma inspiração genuína. Os poetas do acróstico merecem ter sua arte divulgada, assim como os repentistas, como os rappers, os grafiteiros, toda arte popular tem de ser reconhecida e respeitada como arte. Segundo os ingleses, o uso do acróstico remete dos primórdios dos tempos figurando inclusive nos livros bíblicos dos Provérbios e dos Salmos. Em língua portuguesa o acróstico apareceu no cancioneiro geral por volta do século XVI e afirma-se que Camões os teria feito no soneto CCIX do qual o primeiro verso é: “Vencido está de amor meu pensamento.” Essa modalidade poética tem suas variantes, há, por exemplo, o acróstico alfabético em que se vai enfileirando o alfabeto verticalmente, o mesóstico no qual as letras da palavra-chave aparecem no meio da composição, no final de cada primeiro hemistíquio ou início do segundo. Dorival Pedro Levirod é também autor de acrósticos e de seus mais famosos é “O Sapo e a Borboleta”

*Luzdalva S.Magi é formada em Letras pelo Centro Universitário Fundação Santo André. Atua como professora na rede Estadual e particular do estado de São Paulo

Revista Conhecimento Prático Literatura | Ed. 61