150 anos de “Alice no País das Maravilhas”

Desenvolvimento de um projeto escolar utilizando Gêneros Textuais

Por Simone Costa* | Fotos: Divulgação | Adaptação web Caroline Svitras

Cheia de metáforas e simbolismos, a personagem que corre atrás de um coelho branco e falante acaba vivendo uma série de aventuras inusitadas ao longo do roteiro. Divertido para as crianças e instigante para os adultos, o encontro de Alice com os habitantes do “País das Maravilhas” tem um significado bastante profundo. Nossos alunos mergulharam nessa história e, ao longo de um ano letivo, realizaram atividades diferenciadas, leram diversos gêneros sobre o tema, assistiram a uma peça teatral e ao filme. Trabalho enriquecedor que culminou com a elaboração de um livro escrito pelas crianças. Todo o trabalho foi pensado e organizado em torno de práticas de letramento, através de diversos gêneros textuais, que foram desenvolvidos de acordo com a faixa etária dos nossos alunos, com o intuito de formar indivíduos leitores e produtores de textos, capazes de agir em sociedade e de refletir sobre a língua em uso. O equilíbrio encontrado por cada professora, entre práticas de oralidade, de leitura e de escrita, em suas respectivas turmas, possibilitaram múltiplas experiências de letramento, já que, em um mesmo evento, coexistiram diferentes gêneros textuais, cada um adequado a uma determinada situação comunicativa. As turmas iniciaram o trabalho com o gênero textual relacionado ao conteúdo da série: 1º ano – convite, 2º ano – cartão postal, 3º ano – diário, 4º ano – poema cinético, 5º ano – cordel. Em cada página do livro foi possível observar o envolvimento das turmas, através de seus textos, das fotos da elaboração em grupos e dos desenhos confeccionados por eles, proporcionando uma viagem pelo incrível “País das Maravilhas” criado pelos alunos do Ensino Fundamental I do Colégio Cristo Rei.

 

Detalhando o projeto…

O Convite

O capítulo I apresentou o gênero textual convite que é destinado a pessoas conhecidas, como amigos e familiares, para chamá-las para algum evento. Geralmente deve conter o nome da pessoa que estará sendo convidada; a data, o horário e o local do acontecimento ou evento; o tipo de comemoração e, em alguns casos, o tipo de traje a ser usado na ocasião.

 

Por “Alice no país das Maravilhas” ser um livro extenso e com uma história complexa, realizamos a leitura compartilhada, em que a cada etapa, os alunos dos 1ºs anos recebiam um convite diferenciado e eram convidados a adentrar no País das Maravilhas e a vivenciar as aventuras da personagem Alice, tendo a oportunidade de se colocarem no lugar dela e sentirem as suas alegrias, desesperos, medos e questionamentos.

 

O cartão postal

O cartão postal foi o gênero apresentado no capítulo II, trabalho desenvolvido pelos alunos dos 2ºs anos. Ele é formado por um curto texto, se comparado ao texto de uma carta. Além de retratar todos os pontos turísticos de um determinado lugar, ainda permite que o remetente registre suas impressões pessoais e também faça algum comentário sobre as experiências vividas no passeio.

 

As crianças criaram várias “cidades das Maravilhas” e depois seus próprios “países das Maravilhas”, realizando um trabalho interdisciplinar com História e Geografia. Posteriormente, cada aluno se caracterizou de uma personagem da história e os colegas das outras séries foram convidados a apreciar uma exposição dos trabalhos realizados por eles.

 

O diário

O capítulo III apresentou o diário. Um gênero textual que, normalmente, é utilizado para anotar os acontecimentos mais marcantes do dia a dia. Também é um instrumento de confidências de seus donos, que preferem estabelecer um diálogo com ele a trocar confidências com outras pessoas. Nele, podemos registrar ideias, pensamentos, opiniões sobre a realidade que nos cerca, nossos sentimentos de uma maneira geral e guardar lembranças. A importância de se produzir um diário, além de se ter o hábito de anotar os fatos importantes das nossas vidas, é que ele pode nos trazer, no futuro, uma leitura bastante interessante.

 

A partir dos livros que os alunos leram, as turmas dos 3ºs anos foram divididas em grupos. Cada grupo criou um diário, no qual contaram fatos da história de acordo com o gênero trabalhado. A cada nova leitura, os alunos foram convidados a representar partes da história ou seus personagens de diferentes maneiras. Por fim, receberam um convite para participar de um saboroso chá!

 

Poema cinético

O poema cinético é o gênero textual criado não só para ser lido, mas também para ser visto, como uma fotografia, uma pintura. Através do trabalho com letras, palavras e seus significados, estes poemas procuram transmitir, além de sentimentos e emoções, movimentos, cores e formas. Pelas formas criadas com a disposição das palavras nos poemas, as ideias se transformam em algo mais concreto, o que ajuda na compreensão das mensagens neles contidas. São utilizadas várias imagens poéticas na construção desse tipo de poema, usando a palavra como se ela tivesse a capacidade de se locomover.

 

É nesse contexto que o capítulo IV trouxe o poema cinético para passar as emoções aos seus leitores.

 

Cordel

A literatura de cordel, também conhecida como folheto, foi o gênero textual apresentado no capítulo V, que encanta os leitores por seus versos e rimas. É uma modalidade impressa de poesia popular, que ganhou esse nome porque os livros eram expostos ao povo amarrados em cordões, estendidos em pequenas lojas de mercados populares ou até mesmo nas ruas. Nos dias de hoje, podemos encontrar este tipo de literatura, principalmente na região Nordeste do Brasil. As ilustrações são feitas em xilogravura. Um desenho é feito sobre a madeira com algum objeto cortante. Depois, com um rolo com tinta, se pinta a madeira onde foi feito o entalhe com tinta preta. Então, se faz a impressão em papel ou pano, e a figura é revelada.

 

 

Primeiramente, nossos alunos dos 5ºs anos tiveram um contato inicial com várias versões tradicionais da história. Posteriormente, leram o livro: “Alice no País das Maravilhas”, em cordel. Criaram, em pequenos grupos, seus próprios cordéis, de acordo com a versão original.

 

A elaboração dos poemas foi acompanhada pela ilustração, que também recriava a técnica da xilogravura, presente nos folhetos de cordel.

 

Para aprender a trabalhar com as ferramentas do Word, digitaram os poemas criados no laboratório de Informática.

 

Apresentação

Durante o desenvolvimento do Projeto, foram convidados a registrar, por meio de fotos, o “Making Of ” de todos os trabalhos realizados nas diferentes séries. Nas aulas de Informática, aprenderam a utilizar o recurso de editor de filmes (Movie Maker) e, com as imagens coletadas, produziram o filme do processo do trabalho.

 

Este projeto teve início no mês de abril, quando o planejamento das etapas começou a ser rascunhado. Após um longo período de pesquisa e realizações, encerramos o ano letivo com uma apresentação aos amigos e familiares das crianças, apresentando o desenvolvimento de todo o trabalho.

 

A apresentação contou com a participação especial de um grupo de teatro composto por alunos do colégio. Durante a encenação, pausas eram feitas e as professoras explicavam para a plateia o gênero textual trabalhado com os alunos. Nesse momento, um pequeno vídeo de cada turma foi projetado com as imagens dos alunos durante o processo.

 

Nosso produto final foi a elaboração de um livro, produzido com todos os trabalhos desenvolvidos no projeto. Após a apresentação, os alunos autografaram os livros e entregaram para seus familiares que, assim como as crianças, estavam muito felizes com a proposta e com o resultado do projeto.

 

Quer conferir mais artigos sobre literatura? Garanta a sua revista Conhecimento Prático – Literatura aqui!

Conhecimento Prático – Literatura Ed. 69

Adaptado do texto “150 anos de ‘Alice no país das maravilhas'”